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IMT suspende circulação de veículos de manutenção da ferrovia

Na sequência do acidente com um Alfa Pendular em Soure.

IMT suspende circulação de veículos de manutenção da ferrovia
PAULO CUNHA

O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) anunciou esta quarta-feira que decidiu suspender a circulação de veículos de manutenção da ferrovia, como aquele que colidiu contra um Alfa Pendular em Soure, até que sejam adotadas medidas mitigadoras do risco.

"Até que o sistema de proteção automática [nos veículos de conservação da ferrovia] seja implementado, a ANSF exigiu à Infraestruturas de Portugal que sejam adotadas medidas adicionais e complementares mitigadoras de risco que permitam a circulação destes veículos não equipados com CONVEL [sistema de controlo de velocidade] . Até à implementação destas medidas adicionais e complementares mitigadoras do risco, a circulação destes veículos encontra-se suspensa", disse aquela entidade.

Na nota, o IMT referiu que requereu uma avaliação urgente da viabilidade da solução para estes veículos "e, caso viável, a consequente implementação urgente", salientando que a Infraestruturas de Portugal (IP) já deu informação de que "terá sido encontrada uma solução viável".

"O IMT continuará a avaliar a situação, podendo resultar em novas medidas a adotar", acrescentou.
Na sexta-feira, uma dresine (veículo de conservação da ferrovia) colidiu contra um Alfa Pendular, no concelho de Soure, distrito de Coimbra.

O que é o CONVEL?

Em causa está o sistema automático de bloqueio quando se ultrapassa um sinal vermelho - o CONVEL - equipado em todos os comboios que circulam na ferrovia em Portugal, menos nos veículos de manutenção.

Nas recomendações feitas há dois anos pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários, pedia-se a “reanálise do risco correspondente à inexistência do sistema CONVEL nos veículos de manutenção da ferrovia”.

Infraestruturas de Portugal ignorou recomendações?

Entretanto, a Infraestruturas de Portugal (IP) garantiu que deu cumprimento a todas as recomendações feitas pelo GPIAAF em 2018 a que não instalação do sistema de controlo automático de velocidade nos veículos de conservação de catenária se deveu a "uma situação muitíssimo complexa do ponto de vista técnico".

Fiscalização da ferrovia é quase nula

A Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária só tem seis técnicos para fiscalizar todos os comboios, metro e rede ferroviária nacional. Há cinco anos chegou a estar autorizada a contratação de 100 novos fiscais, mas foi anulada pelo ministro Pedro Marques.

O jornal Correio da Manhã conta que teve acesso a um relatório de setembro de 2019 onde se revela que durante todo o ano de "2018, não foi possível realizar qualquer auditoria à aplicação do Sistema de Gestão de Segurança das Empresas Ferroviárias ou do Gestor da Infraestrutura".

Já o "Plano de Supervisão 2020" do IMT revela o que está acontecer:

"O número de técnicos tem-se revelado reduzido para a execução plena de todas as competências atribuídas à Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária."

Acidente em Soure: o que aconteceu?

O descarrilamento provocou dois mortos (os ocupantes da dresine), oito feridos graves e 36 feridos ligeiros. A colisão surgiu em resultado da ultrapassagem indevida de um sinal vermelho por parte da dresine, à saída da estação de Soure.