País

Ministra diz ter sido "descontextualizada de forma grave" sobre situação dos lares

ANTÓNIO COTRIM

Presidente da República avisa que leu todos os relatórios e que é preciso tirar lições.

A ministra da Segurança Social social nega ter desvalorizado o número de mortes nos lares em Portugal. Em comunicado, afirmou que o título da publicação do Expresso foi "descontextualizado de forma grave".

Esclareceu que que o ministério tem estado desde o início da pandemia a acompanhar a situação nos lares e que tem desenvolvido mecanismos para antecipar e prevenir surtos, acrescentando que o plano estratégico implementado até agora já custou ao estado 200 milhões de euros.

De acordo com o semanário Expresso, Ana Mendes Godinho assumiu que não leu o relatório da Ordem dos Médicos sobre o surto de covid-19, que matou 18 pessoas no lar de Reguengos de Monsaraz.

A ministra recusou ainda comentar a situação do lar de Reguengos de Monsaraz, por estar ainda a decorrer o inquérito aberto pelo Ministério Público e diz que a competência é do Ministério da Saúde.

"No caso de Reguengos, a grande dificuldade foi encontrar funcionários quando muitos ficaram doentes. É preciso aumentar a aposta nos recursos humanos do sector social. Em abril criámos um programa especial [do IEFP], inicialmente previsto por um período de três meses e que decidimos prolongar até ao fim de dezembro", disse a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

O Presidente da República avisa que leu todos os relatórios e que é preciso tirar lições.

Segundo números avançados pela responsável, foram aprovadas até agora 5.800 pessoas para instituições do setor social, sendo que o objetivo é colocar cerca de 15 mil até ao final do ano.

CDS diz que ministra desvaloriza pandemia em lares, PSD chama Ana Mendes Godinho ao Parlamento

O CDS criticou a reação da ministra a Solidariedade Social à morte de 18 idosos num lar em Reguengos de Monsaraz e considerou que Ana Mendes Godinho desvaloriza o impacto da pandemia nos lares.

Para o líder democrata-cristão, Francisco Rodrigues dos Santos, as declarações da ministra, além de "exporem a sua total inabilidade para o cargo e espelharem uma negligência arrepiante", parecem "retiradas de um filme de terror".

"Portugal não tem uma Ministra da Solidariedade Social. Tem uma Ministra da Insensibilidade Social", indica na nota do partido, sublinhando que 40% das mortes por covid-19 em Portugal ocorreram em lares.

Já o PSD vai chamar as ministras da Segurança Social e da Saúde ao Parlamento, para Ana Mendes Godinho explicar a situação e Marta Temido falar sobre o plano de combate à covid-19.

Na sequência do requerimento do PSD, que será entregue na segunda-feira, está também, segundo a nota, "a entrevista da ministra publicada este sábado, onde a governante desvaloriza a situação dos lares e a sua fiscalização", no âmbito da pandemia de covid-19.

Reabertura dos centros de dia

Os centros de dia estão desde este sábado autorizados a abrir, com exceção da Área Metropolitana de Lisboa, onde a situação de contingência devido à pandemia o impede.

Nos restantes casos a reabertura será faseada e avaliada caso a caso. A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que as instituições que reunam condições terão apoio financeiro do Governo para a aquisição de equipamentos de proteção individual.