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Campanha "Parir sozinha não" critica impedimento de acompanhamento de grávidas

Facebook Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto

"É incompreensível e injusto que, neste momento, possamos passear livremente no shopping, que possamos ir à praia ou ao restaurante cheio de gente ou a espetáculos, mas que as mulheres continuem privadas do seu direito a acompanhante no momento do parto".

A Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e no Parto lançou a campanha "Parir Sozinha Não", que pretende denunciar o "impedimento da presença do acompanhante nas consultas, exames e parto", afirmou hoje uma das responsáveis.

"Mais vale parir no shopping. Pelo menos não tens restrições ao acompanhamento" é o primeiro slogan da campanha 'Parir Sozinha Não', lançada pela associação, que desde o início da pandemia da covid-19 tem recebido "vários pedidos de ajuda de grávidas que não veem cumpridos os seus direitos".

"É incompreensível e injusto que, neste momento, possamos passear livremente no 'shopping', que possamos ir à praia ou ao restaurante cheio de gente ou a espetáculos, mas que as mulheres continuem privadas do seu direito a acompanhante no momento do parto", afirmou Isabel Valente, membro da associação e responsável pela criação da campanha.

A campanha "Parir Sozinha Não" está a ser divulgada nas redes sociais e no site da associação e tem apenas um propósito: "denunciar o impedimento da presença de acompanhante nas consultas, exames, parto e pós-parto", algo que tem originado, segundo a responsável, "um profundo mal-estar" nas grávidas.

"O momento do nascimento de um filho ou filha é um momento irrepetível e absolutamente precioso para a vida de uma família. Estamos a roubar às famílias esse momento precioso, que tem um impacto profundo na saúde da mulher, como também na do bebé e construção da nova família", referiu.

Isabel Valente acrescentou ainda que, à semelhança de outras iniciativas, com esta campanha a associação quer que seja feita uma "revisão das orientações da Direção-Geral de Saúde (DGS)" e o alinhamento das mesmas com as normas da Organização Mundial da Saúde, "que dizem que até uma grávida que tenha testado positivo para a covid-19 tem direito a acompanhante".

"O que a DGS está a fazer é a deixar ao critério das instituições se admitem ou permitem o acompanhante e pretendemos que a DGS reveja as suas orientações", afirmou.

Em declarações à Lusa, a 03 de setembro, a fundadora da associação, Sara do Vale, pediu que a DGS reveja as orientações definidas para as instituições hospitalares, decorrentes da covid-19, para as mulheres grávidas e o parto.

"O nosso objetivo é que se reveja as orientações, que dão autonomia aos serviços hospitalares para se organizarem conforme conseguem, mas a verdade é que assim que a DGS muda as suas políticas, os hospitais mudam também, ou seja, a DGS diz que cada hospital organizar-se-á como for mais conveniente e os serviços dizem que a DGS ainda não mudou as orientações", afirmou a fundadora da associação.

Neste momento, decorre também uma petição pública pelo "Direito ao acompanhamento da grávida nas consultas, procedimentos e no parto", que contava hoje pelas 14:20 com 6.072 assinaturas.

"Estando em regime excecional, este direito tem vindo a ser desvirtuado. Visto que mães e bebés não são considerados grupos de risco e o acompanhamento nesta fase à gestante é essencial, vimos por este meio requerer que as consultas marcadas, ecografias, parto e outros procedimentos tenham a possibilidade de ter um acompanhante", lê-se na petição.