País

Homicídio no aeroporto de Lisboa. Relatório fala em ação concertada para omitir morte

O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, completamente vazio.

MÁRIO CRUZ

Ihor Homneyuk foi agredido e deixado numa sala várias horas.

A Inspeção-Geral da Administração Interna considera que a morte do cidadão ucraniano em março, no aeroporto de Lisboa foi provocada por uma postura de desinteresse pela condição humana de 12 inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

O relatório - a que o jornal Público teve acesso - revela que houve uma ação concertada entre inspetores, seguranças e um enfermeiro para omitir o caso.

A morte de Ihor Homneyuk

Resultou de uma asfixia lenta com origem em dois fatores: as agressões de que foi vítima e o facto de ter estado algemado durante várias horas no Centro de Instalação Temporária do aeroporto de Lisboa.

O relatório do médico legista foi a única forma de entender o que realmente aconteceu ao cidadão ucraniano, agredido até à morte por três inspetores do SEF em março deste ano.

Agora, o relatório da Inspeção-Geral da Administração Interna - a que o jornal Público teve acesso - revela vários pormenores do que aconteceu. Desde logo, as agressões por três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras - recentemente acusados de homicídio qualificado - a ausência de preocupação da parte de seguranças e inspetores sobre a condição física da vítima, e ainda a inação de um enfermeiro, que impedido de prestar o devido auxílio, não terá chamado o INEM nem providenciado nenhuma forma de transporte da vítima até ao hospital.

"Desinteresse generalizado pela condição humana"

Tudo somado, levou o IGAI a classificar a postura dos vários profissionais como de "desinteresse generalizado pela condição humana" da vítima e já propôs a instauração de processos disciplinares a sete inspetores e uma técnica, incluindo um coordenador e dois chefes, para além dos que já tinham sido determinados ao diretor e subdiretor de Fronteiras de Lisboa, já demitidos dos cargos.

Para o IGAI não há dúvidas que o episódio foi uma ação concertada entre os vários elementos do SEF, o profissional de saúde envolvido e os seguranças que conduziu à morte de Ihor Homneyuk, de 40 anos.

Depois de lhe ter sido negada a entrada em território português, e sem qualquer apoio jurídico, Ighor terá recusado embarcar num avião de regresso a Istambul, de onde tinha partido. Acabou por ser levado para uma sala isolada onde foi violentamente agredido durante 20 minutos.

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