País

Violência doméstica. "Julgo que começa a desaparecer o sentimento de impunidade"

Entrevista SIC Notícias

A ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, na Edição da Manhã da SIC Notícias.

O Governo lança hoje uma nova campanha de combate à violência doméstica que vai estar espalhada por transportes públicos, rede multibanco, hipermercados, estações de serviço e órgãos de comunicação social.

Objetivo da campanha é "gerar confiança a quem quer apresentar queixa"

Mariana Vieira da Silva, ministra de Estado e da Presidência, esteve na Edição da Manhã da SIC Notícias para falar sobre os objetivos da campanha e o que está a ser feito em Portugal para combater a violência doméstica.

"Estamos desde agosto de 2019 a trabalhar intensamente com todos os setores do Governo: Justiça, Administração Interna, Segurança Social e organizações de apoio às mulheres, numa ação integrada que permite a todas as mulheres que apresentem queixa que tenham nas primeiras 72 horas a resposta que precisam", disse à SIC Notícias.

A ministra diz que o objetivo desta ação é "gerar confiança a quem quer apresentar queixa". Realça ainda que a campanha lançada hoje, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, apela a um outro lado: “De cada um de nós aprender a ver os sinais e saber o que pode fazer para ajudar. Não estamos a falar só para as vítimas, mas para toda a sociedade que tem obrigações em estender a mão e ajudar”.

Mariana Vieira da Silva afirma que o momento mais difícil com que uma vítima de violência doméstica se confronta é "o momento até ao qual decide que vai apresentar queixa" e destaca por isso a importância das campanhas para que todas saibam como é que se podem queixar e a quem, e saber que há "um caminho de segurança a partir daí".

"Julgo que começa a desaparecer o sentimento de impunidade"

A ministra de Estado e da Presidência considera que em Portugal começa a desaparecer o "sentimento de impunidade" e explica que isso deve-se aos números de mulheres mortas que, apesar de serem muito elevados, são mais baixos em relação a 2019, "há menos casos, mais pessoas protegidas, mais agressores com pulseiras eletrónicas e mais agressores que foram presos e estão a cumprir pena".

Diz também crer que as pessoas hoje em dia conhecem melhor a rede que as suporta.

Rede de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica acolheu 625 pessoas na 2.ª vaga da pandemia

A Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica acolheu 625 pessoas na segunda vaga da pandemia, e fez mais de 12 mil atendimentos, tendo havido ainda 150 pessoas que conseguiram terminar o processo de autonomização.

Mariana Vieira da Silva diz que desde a primeira vaga, reforçaram o número de vagas nos espaços de acolhimento e as forças policiais contactaram as pessoas que tinham apresentado queixa para saber como é que estavam. "Na primeira vaga não se sentiu esse aumento de procura das nossas respostas, na segunda vaga aparentemente sim. Estamos atentos e à procura de novas soluções", remata.