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Fenprof acusa ministro da Educação de não ser democrata e de ser incapaz de resolver problemas

Professores e educadores de infância realizam esta sexta-feira uma greve nacional para reivindicar medidas, como poderem aposentar-se mais cedo ou recuperarem os anos de serviço congelado.

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, garantiu esta sexta-feira que o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, não se tem mostrado disponível para negociar desde que tomou posse.

Mário Nogueira considerou, em Coimbra e em dia de greve, que o ministro é incapaz de dialogar ou de resolver problemas. Disse também que o ministro da Educação não é um democrata.

"Num Governo de uma sociedade que se rege pelas regras da democracia era natural haver um democrata à frente de um ministério como o Ministério da Educação, mas, pelos vistos, não é o que acontece", afirmou Mário Nogueira, que falava aos jornalistas à frente da Escola Secundária Avelar Brotero, em Coimbra.

Para Mário Nogueira, a greve tem como objetivo "quebrar o bloqueio negocial" com a tutela, que tem posto "um embargo à resolução dos problemas", registando-se um "agravamento de velhos problemas" devido à pandemia de covid-19, como é o caso do envelhecimento do corpo docente, a falta de recursos financeiros e humanos das escolas ou falta de resposta a alunos com necessidades educativas especiais.

Para o dirigente sindical, não é admissivel que ainda haja alunos sem professores quase no final do primeiro período. Salientou também que não há o distanciamento recomendado nas salas de aulas, registando-se também a falta de rastreio e uma "incoerência completa na realização de testes".

"Mais de mil escolas já têm situações de contágio, mas como não há um rastreio acaba por se encobrir e diz-se que não são espaços privilegiados de contágio", notou, defendendo ainda que os professores com mais de 50 anos sejam incluídos na segunda fase da campanha nacional de vacinação contra a covid-19.

Os professores e educadores de infância realizam esta sexta-feira uma greve nacional para reivindicar diversas medidas, tais como poderem aposentar-se mais cedo ou recuperarem os anos de serviço congelado. A adesão à greve deverá ser elevada, segundo os resultados do inquérito divulgado esta semana pela Fenprof, que revelou que 88,3% dos inquiridos consideram que é preciso continuar a lutar.

Professores acusam Governo de "degradar" profissão "envelhecida e que também adoece"

Cerca das 09:00, Manuela Mendonça considerou ser "cedo" para fazer balanços de uma greve nacional de educadores de infância e de professores do ensino básico e secundário, cujo pré-aviso foi divulgado a 27 de novembro.


"Esperamos uma boa adesão. Embora variável de escola para escola (...). Sabemos que a greve se realiza em contextos difíceis (...). A Fenprof dirigiu-se ao primeiro-ministro várias vezes, inclusive quando foi entregar o pré-aviso de greve e avisou que a greve só se faria se o Governo quisesse. Faltavam 15 dias para a greve e estávamos disponíveis para reunir em qualquer dia", disse a dirigente sindical.

Manuela Mendonça admitiu que o momento, quer devido à pandemia da covid-19, quer por estar próximo do final do período e da aviação dos alunos, "é muito complexo" e contou saber que "alguns colegas que por força dos feriados e das pontes ficaram com muitos poucos dias letivos e não vão fazer a greve embora se revejam nos motivos" e frisou o porquê da paralisação.

"Não podíamos deixar de tomar uma posição para protestar pelo bloqueio negocial e exigir respeito pelos professores que também estão na linha da frente da pandemia a dar o melhor de si aos seus alunos. Estão a permitir, em condições sanitárias insuficientes, que os pais e encarregados de educação estejam a trabalhar a bem da economia do país. Em segundo lugar exigimos respeito pelos sindicatos e pelas leia da República. Nenhum Governo está acima da lei e tem de negociar", referiu a coordenadora do SPN.

Os professores e educadores exigem "diálogo, negociação e resolução dos problemas que afetam os docentes, mas também as escolas e os alunos", acrescentou a dirigente sindical, apontando que esses "problemas já existiam antes, mas a pandemia tem vindo a agravá-los".

"A falta de professores está hoje a deixar sem aulas milhares de alunos. É consequência da degradação progressiva das condições da profissão docente que afasta os jovens da profissão e que provoca níveis de desgaste e de exaustão aos professores que estão no ativo. A profissão envelhece e adoece. Há muitos professores de baixa médica", disse Manuela Mendonça, questionando a "falta de diálogo" de Tiago Brandão Rodrigues.

"O ministro da Educação não está disponível para discutir soluções. Se o senhor ministro não está preocupado com a falta de professores, está preocupado com o quê?", sublinhou.

Manuela Mendonça alertou que "ao contrário de outros países" a situação de Portugal "ainda não é tão crítica", porque "há professores qualificados no país", mas "não há professores qualificados nas escolas".

"A carreira não atrai novos profissionais e a renovação não se faz. Se não forem tomadas medidas urgentes que revertam esta situação, a médio prazo a falta de professores qualificados em Portugal pode vir a ser o mais grave problema do nosso sistema educativo. É preciso criar condições para que regressem. E criar condições é dar-lhes estabilidade, abrir vagas nos quadros das escolas, valorizar a carreira e os salários e retirar burocracia das tarefas docentes", concluiu.

Quase 150 mil docentes desde o pré-escolar até ao ensino secundário estão abrangidos pelo protesto convocado pela Fenprof.

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    Opinião

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