O conflito entre a GNR e PSP na distribuição das vacinas não aconteceu apenas em Évora. Ao que a SIC apurou, a PSP já terá reportado à secretária-geral de Segurança Interna várias queixas contra os militares da GNR.
Problemas em Viana do Castelo, Aveiras, Setúbal e Caldas da Rainha
Fontes contactadas pela SIC confirmam que em Viana do Castelo uma equipa de intervenção rápida, um motociclista e um carro patrulha da PSP ficaram mais de 40 minutos numa das rotundas da cidade à espera da passagem da carrinha de distribuição das vacinas para fazer a escolta na zona urbana, mas a GNR alterou o trajeto previamente combinado sem nunca avisar a Polícia de Segurança Pública.
Situações semelhantes terão acontecido em Aveiras, Setúbal e Caldas da Rainha e já terão sido denunciadas pela PSP à secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, que coordena a articulação das várias Forças de Segurança.
O ministro Eduardo Cabrita pediu publicamente à secretária-geral do sistema de Segurança Interna que esclareça a quem compete fazer o quê na distribuição das vacinas. Pedido que parece revelar que a tutela desconhece este plano de coordenação, a que a SIC teve acesso. Foi decidido a 22 de dezembro e define de forma clara como se devem articular a PSP e a GNR nestas operações de transporte.
Afinal, quem tem razão?
"3. A GNR assegura o desembaraçamento de trânsito nos itinerários que compreendam passagens por áreas de responsabilidade (AR) de ambas as FS;"
Ou seja, a GNR está presente em todo o percurso para abrir caminho, mas o plano da operação prevê ainda uma "escolta-acompanhamento de segurança" e, nesse caso, as regras diferem.
"A GNR assegura a proteção dos bens em deslocamento na sua área de responsabilidade.”
"A partir do ponto de transição a AR, a escolta-acompanhamento de segurança é da responsabilidade da PSP."
As cidades de Évora e Viana do Castelo, por exemplo, são da responsabilidade da PSP. O que neste caso implica um trabalho conjunto.
No documento a que a SIC teve acesso salta ainda à vista uma nota que revela a discordância da GNR quanto ao modelo adoptado.
"A GNR manifestou preocupação devido a potenciais fragilidades decorrentes da troca dos elementos de segurança. A PSP assegurou que a segurança será mantida, sendo a troca de elementos realizada em movimento."