Assinalou-se este domingo o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, data asssinalada desde o massacre de Sharpeville, na África do Sul. 69 pessoas e 186 ficaram feridas enquanto protestavam de forma pacífica contra o regime de Apartheid no país.
O Governo português inicia esta semana a discussão da proposta do Plano Nacional de Combate ao Racismo e Discriminação. Beatriz Gomes Dias, ativista, deputada e candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa considera que o racismo deve ser olhado como uma construção social e uma manifestação que está ativa na sociedade portuguesa.
Numa entrevista à SIC Notícias, a deputada disse que o plano serve dois propósitos: cria medidas que respondem à "discriminação e aos obstáculos que o racismo coloca" e "contribui para combater a negação que existe na sociedade portuguesa".
Para Beatriz Gomes Dias, as organizações antirracistas têm tido a capacidade de colocar os temas do racismo e discriminação na agenda política e mediática.
"Só vamos conseguir uma sociedade relamente igualitária - aprofundar e defender a democracia - se tivermos um debate aberto e plural sobre o racismo", disse a deputada, sublinhando que o debate não polariza, mas sim o racismo, causador de exclusão social.
Beatriz Gomes Dias não se compromete, mas também não exclui acordos com Fernando Medina
A visão da cidade converge em alguns aspetos, mas diverge noutros, considera a candidata à Câmara Municipal de Lisboa quando é questionada sobre um possível acordo pré-eleitoral com o Partido Socialista de Fernando Medina.
A candidatura do BE tem como objetivo tornar Lisboa numa cidade que consiga "responder com eficácia à crise social agravada pela pandemia", com políticas de habitação acessível para "recuperar os milhares de habitantes que Lisboa foi perdendo ao longo dos anos", que responda à crise climática com "medidas robustas para o seu combate" e que seja uma cidade livre de discrimininação.
"Temos um programa muito específico para a cidade. Temos uma visão da cidade que em muitas medidas difere da do PS", disse Beatriz Gomes Dias, acrescentando que o partido quer que o projeto seja avaliado pelos lisboetas.