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Caso das mortes de Comandos. Tribunal altera datas das alegações finais do julgamento

Recrutas Dylan da Silva e Hugo Abreu morreram durante a primeira prova do 127.º curso de Comandos.

Caso das mortes de Comandos. Tribunal altera datas das alegações finais do julgamento

As alegações finais do julgamento dos militares acusados de crimes ligados à morte de dois recrutas dos Comandos foram adiadas para os dias 7, 13 e 17 de maio, segundo despacho do coletivo de juízes esta sexta-feira conhecido.

Inicialmente, o tribunal havia marcado a data das alegações para 30 de abril e 5 de maio, após o Ministério Público (MP) pedir alargamento de prazo para preparar as alegações, mas, após pedidos formulado pelas partes, e embora não tivesse que aceitar, os juízes "em estrito pelo dever de colaboração" e "tentativa de conciliação de datas face à disponibilidade indicada por todos", decidiu alterar o calendário para 7, 13 e 17 de maio.

Calendário

Assim, com base naquele fundamento e considerando as datas disponíveis para todos os intervenientes processuais, o tribunal designou 7 de maio (10:00) para início das alegações do Ministério Público, seguindo-se a dos assistentes e das partes civis.

Todo o dia de 13 de maio será reservado para alegações dos arguidos, estando previsto para 17 de maio a continuação das alegações dos defensores e últimas declarações.

Deste novo calendário de alegações finais, o tribunal já mandou notificar as partes e ainda os arguidos "que não se encontrem em missão (militar), de que deverão estar presentes na última audiência de julgamento".

No mesmo despacho, o coletivo de juízes solicita "com a máxima urgência a reserva de sala adequada" para a realização das alegações finais, por forma a que se "observe o distanciamento determinado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) a todos os participantes, incluindo o funcionário, informando o número total de pessoas, inclusive com os arguidos e eventualmente assistentes, para os dias designados" para as alegações finais do julgamento.

Durante a pandemia de covid-19, devido à necessidade de distanciamento social obrigatório e ao elevado número de arguidos e advogados, o julgamento decorreu num espaço cedido pela Ordem dos Solicitadores, em Lisboa.

Processo. Morreram dois recrutas

O processo incide sobre os acontecimentos ocorridos durante a primeira prova do 127.º curso de Comandos em que morreram os recrutas Dylan da Silva e Hugo Abreu, tendo o MP, no final da investigação, acusado 19 militares, por cerca de 500 crimes relacionados com os atos alegadamente praticados na instrução dos recrutas.

Dylan da Silva e Hugo Abreu, à data dos factos ambos com 20 anos, morreram e outros instruendos sofreram lesões graves e tiveram de ser internados durante a denominada "Prova Zero" (primeira prova do curso de Comandos), que decorreu na região de Alcochete, distrito de Setúbal, a 4 de setembro de 2016.

Oito oficiais, oito sargentos e três praças, todos militares do Exército do Regimento de Comandos, a maioria instrutores, estão acusados de abuso de autoridade por ofensa à integridade física.

Segundo a acusação, os arguidos atuaram com "manifesto desprezo pelas consequências gravosas que provocaram nos ofendidos".

"Os princípios e valores pelos quais se regem os arguidos revelam desrespeito pela vida, dignidade e liberdade da pessoa humana, tratando os ofendidos como pessoas descartáveis", diz a acusação, assinada pela procuradora Cândida Vilar.

A acusação nota que, ao sujeitarem os ofendidos a essa "penosidade física e psicológica" durante a recruta efetuada em setembro de 2016, todos os arguidos sabiam que "excediam os limites" permitidos pela Constituição e pelo Estatuto dos Militares da Forças Armadas e "colocaram em risco a vida e a saúde dos ofendidos, o que aconteceu logo no primeiro dia de formação.

A defesa tentará refutar estas imputações nas alegações finais, após um julgamento que dura há mais de dois anos.