País

Twitter suspende temporariamente a conta de André Ventura

MÁRIO CRUZ

A publicação do líder do Chega surge em resposta à decisão de Eduardo Cabrita de suspender a pena do agente da PSP.

A conta de Twitter de André Ventura foi bloqueada temporariamente. A plataforma considera que o líder do Chega realizou uma “violação das regras” da rede social “contra abuso e assédio” e, por isso, aplicou uma suspensão da conta por 12 horas. Entretanto, o perfil de Ventura já se encontra ativo.

“Se é assim que vive a III República, eu também acho que Eduardo Cabrita devia ser decapitado!”, escreveu o líder do Chega no Twitter.

A publicação surge na sequência da decisão, tomada pelo ministro da Administração Interna, de suspender a pena do agente da PSP. Manuel Morais tinha sido suspenso depois de ter escrito no Facebook, em junho de 2020, “decapitem estes racistas nauseabundos que não merecem a água que bebem”.

Ventura confirmou ao Expresso a suspensão da conta e considera que “é de lamentar não ser usado o mesmo critério para as publicações” que o “ameaçam e ofendem”.

“É o que se pode chamar de verdadeira censura do século XXI que só funciona para um lado, o lado do Chega e do deputado André Ventura”, afirmou ainda.

Não é a primeira vez que André Ventura critica publicamente a decisão de Eduardo Cabrita. Na Assembleia da Republica, o deputado questionou se o António Costa apoiava a decisão do ministro da Administração Interna de reverter o parecer da PSP, afirmando que o Chega “não se revê neste tipo de declarações” e que irá fazer chegar o caso à Presidência da União Europeia.

A plataforma Twitter considera “comportamentos abusivos” as publicações que exerçam “assédio direcionado a alguém” ou que incitem “outas pessoas a fazê-lo”, assim como as “tentativas de assediar, intimidar ou silenciar a voz de outra pessoa”.

A publicação de Manuel Morais valeu-lhe uma suspensão de dez dias, em março, aplicada pelo núcleo de deontologia da Unidade Especial da Polícia. O agente recorreu ao ministro da Administração Interna que decidiu a suspensão da execução da pena aplicada. Eduardo Cabrita repôs também ao polícia o salário referente ao período em causa.

Ao jornal Público, o agente esclareceu que “em momento algum quis ofender ou decapitar alguém no verdadeiro sentido da palavra”, acrescentando ainda que a intenção era “transmitir que é necessário decapitar as ideias racistas que prejudicam a sociedade em geral”. Manuel Morais recusou também estar a referir-se concretamente ao líder do Chega, mas sim às ideias que este tem expressado