País

Cientistas de Coimbra descobrem novo mecanismo da infeção pela bactéria Salmonella

Suzanne Plunkett

A UC salienta que estes dados podem vir a desempenhar "um papel crucial no impedimento da progressão da infeção por esta bactéria".

Um estudo internacional liderado por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) revelou um novo mecanismo de infeção específico da Salmonella, que pode ser importante para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para travar infeções causadas por esta bactéria.

"Trata-se de um novo mecanismo que aumenta o nosso conhecimento sobre as interações complexas estabelecidas entre as nossas células e os microrganismos, neste caso a bactéria Salmonella", refere Ana Eulálio, líder do estudo e investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia.

Em comunicado, a UC salienta que estes dados, obtidos através de estudos em células e em modelos animais, podem vir a desempenhar "um papel crucial no impedimento da progressão da infeção por esta bactéria".

Miguel Mano, investigador do CNC e docente da FCTUC, e também autor do estudo, esclarece que "o conhecimento dos mecanismos moleculares explorados pela Salmonella pode possibilitar o desenvolvimento de estratégias terapêuticas capazes de bloquear a disseminação da infeção".

"Geralmente, as células do corpo humano quando são infetadas por vírus ou bactérias comunicam com as células vizinhas saudáveis para orquestrar uma resposta contra a infeção", o que não acontece com as células infetadas por Salmonella, que libertam proteínas que facilitam a infeção das células vizinhas.

Por esta razão, refere o estudo, "foi necessário avaliar e identificar 'moléculas-chave' envolvidas no processo de infeção e disseminação, para melhor compreender onde atuar para impedir a infeção".

A infeção provocada por aquela bactéria ocorre após a ingestão de alimentos contaminados e afeta principalmente o trato digestivo, provocando enjoos, cólicas, diarreia, febre e vómitos.

A investigação liderada por cientistas da UC contou com a colaboração das Universidades de Würzburg (Alemanha) e de Córdoba (Espanha) e dos Institutos de Ciências Matemáticas e de Homi Bhabha (Índia).