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"É a primeira vez que me ameaçam diretamente de morte": porta-voz do PAN anuncia queixa ao Ministério Público

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

"Não só não me calarei, como, muito pelo contrário, só me dá mais força para defender a nossa causa", afirma Inês de Sousa Real.

A porta-voz do PAN revelou esta quinta-feira que fará queixa ao Ministério Público de uma ameaça de morte recebida através das redes sociais, que se soma a outras mensagens de ódio que diz ter recebido.

"É a primeira vez que me ameaçam diretamente de morte. Há cerca um ano, recebi ameaças à integridade física, mas nunca com este tom. Quando se debatem alguns setores, como a tauromaquia, a pesca, a caça, até a pecuária, é normal receber injúrias", disse Inês de Sousa Real à agência Lusa, depois de ter revelado na rede social Twitter que foi alvo de uma ameaça de morte.

A dirigente do PAN relatou que tem vindo a receber outras mensagens de ódio, que, considera, revelam "um problema sistémico de desrespeito pela mulher na vida pública".

"Há uma diferença de linguagem. O que ouvimos criticar aos líderes partidários quando são homens é que são autoritários ou fascistas, nas mulheres é sempre uma linguagem de vulgaridade, comentários ordinários", contou à Lusa, notando que versam "questões de moralidade e da dinâmica física e corporal das mulheres".

"Tenho tanta legitimidade em exercer as minhas funções em segurança e sem ser coagida como um homem", sublinhou.

Para Inês de Sousa Real, "é demasiado grave que se continue a tolerar este ódio que se propaga nas redes sociais de alguém que está atrás de um computador a ofender quem está ao serviço da nação, seja quem for".

"Não só não me calarei, como, muito pelo contrário, só me dá mais força para defender a nossa causa, que é a construção de uma sociedade mais empática", disse.

A porta-voz do PAN notou que "há uma onda crescente de violência e agressão verbal nas redes sociais", que "também se tem sentido" nas ruas, dando como exemplos os insultos dirigidos ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, por um grupo de manifestantes negacionistas.

Os insultos foram feitos por uma dezena de negacionistas da covid-19 que, no sábado passado, protestaram em frente ao Parlamento.

Na segunda-feira de manhã, a PSP anunciou que iria participar ao Ministério Público os insultos proferidos contra o presidente da Assembleia da República.