País

Ordem dos Médicos abre processo disciplinar a Fernando Nobre

Carlos Rodrigues

Devido às declarações proferidas durante uma manifestação de negacionistas.

O Conselho de Disciplina da Ordem dos Médicos abriu esta terça-feira formalmente um processo disciplinar ao presidente e fundador da AMI, Fernando Nobre, pelas declarações durante uma manifestação de negacionistas em frente ao Parlamento.

Ao que a SIC apurou, chegaram à Ordem várias queixas que motivaram o processo disciplinar.

O ex-candidato à Presidência da República, que é contra a vacina da covid-19 e o uso de máscaras, atacou os médicos que diz ganharem mais dinheiro pelo trabalho nos covidários.

Durante 25 minutos, empurrado pelos ecos da multidão, Fernando Nobre referiu que 93% a 97% dos testes PCR são falsos positivos e lembrou que se curou da infeção por covid-19, já com níveis de oxigénio de 70% e 41º graus de febre, através de fármacos cuja eficácia científica nunca foi comprovada.

"Isso não se trata com paracetamol, ou doliprane, ou ben-u-ron. Isso trata-se como eu me tratei, tratei a minha mulher, tratei a minha filha: com azitromicina, hidroxicloroquina, ivermectina. Numa semana, estávamos todos curados", referiu Fernando Nobre.

Fernando Nobre será agora notificado para se defender.

Fundador e presidente da organização não-governamental Assistência Médica Internacional (AMI), foi candidato à Presidência da República em 2010 e eleito deputado pelo PSD nas legislativas de 2011, tendo renunciado ao mandato um mês depois, após ter falhado a eleição para presidente do Parlamento.

Em 22 de outubro de 2020, o médico apelou aos deputados para que votassem contra a obrigatoriedade de máscara na rua, alegando que estavam em causa direitos e liberdades fundamentais num tema que não reunia consenso científico.

Em declarações à agência Lusa na altura, Fernando Nobre defendeu que a Constituição da República assegura um conjunto de direitos, liberdades e garantias que, no seu entender, ficariam em causa com a aprovação da obrigatoriedade do uso de máscara na via pública.

"Sinto-me coagido nas minhas liberdades, direitos e garantias que são indeclináveis e que não podem estar sujeitas a interpretações porque isso pode-se tornar perigoso. Daí eu apelar para que os senhores deputados, que o senhor Presidente da República (que é constitucionalista e jurista) e que o Tribunal Constitucional, por favor zelem pelos direitos liberdades e garantias de todos os cidadãos portugueses", disse na altura.