País

Os escândalos que mancharam o nome das Forças Armadas portuguesas

Loading...
Ao longo dos últimos anos outros escândalos mancharam o nome da instituição militar.

Esta segunda-feira, ficou a saber-se que militares portugueses destacados na República Centro-Africana são suspeitos de tráfico de diamantes, ouro e estupefacientes durante missões ao abrigo das Nações Unidas, mas, ao longo dos últimos anos, vários escândalos mancharam o nome da instituição militar portuguesa.

Assalto em Tancos

Foi em junho de 2017 que o furto de armas dos paióis de Tancos foi divulgado pelo exército. Explosivos, granadas de gás lacrimogéneo e granadas foguete anticarro foram levados sem que ninguém desse por isso.

Em outubro desse mesmo ano, alguns elementos da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR de Loulé recuperaram nuns terrenos da chamusca o que tinha sido roubado, mas o que parecia ser uma operação de sucesso em breve fez corar a instituição militar de vergonha.

Afinal, foi tudo encenado, garante o Ministério Público, que acusou Azeredo Lopes de abuso de poder, favorecimento pessoal e denegação de justiça e prevaricação, mas pediu nas alegações finais a absolvição do antigo ministro.

A acusação acredita que o antigo ministro da Defesa saberia de tudo, mas não o conseguiu provar. Sabia que o exército e a PJM quiseram encobrir os autores do roubo, recuperar o armamento furtado dos paióis e arrecadar os louros da operação.

Azeredo Lopes demitiu-se do cargo por causa do processo de Tancos, mas apenas mais de um ano depois do furto.

O julgamento ainda não chegou ao fim. A leitura do acórdão, que esteve marcada para o fim do mês passado, foi adiada. O tribunal marcou novas audiências por alguns dos arguidos terem mostrado vontade de falar mais um pouco.

Para João Paulino, autor confesso do furto do material militar dos paióis, o procurador pede a pena mais pesada, entre os nove e os 10 anos de prisão. Para alguns antigos elementos da PJM, incluindo Luís Vieira, o Ministério Público insiste numa condenação, mas por pena suspensa.

Operação Zeus

Em setembro de 2020, o Tribunal Central Criminal de Sintra condenou a penas de prisão efetiva entre os três anos e seis anos de prisão 10 militares. Entre eles um major-general e dois coronéis da Força Aérea por, entre 2011 e 2016, terem sobrefaturado mais de 1,8 milhões de euros no fornecimento das messes deste ramo das Forças Armadas.

Em causa crimes de corrupção passiva e, nalguns casos, também de falsificação de documento. Na prática, os que geriam as messes faturariam aos fornecedores mais do que os alimentos custavam. O Estado pagava e depois o valor da diferença era repartido por todos, empresários e militares.

Tudo coordenado na Divisão de Abastecimento e Transportes chefiada à data, pelo major-general Raul Milhais de Carvalho, considerado pelo Ministério Público como o "cabecilha" do esquema de corrupção.

Catorze desses empresários foram sentenciados com penas entre um ano e seis meses e quatro anos de prisão por corrupção ativa e, nalguns casos, também de falsificação de documento. O esquema terá abrangido, no total, 10 instalações da Força Aérea.

VEJA MAIS:

Últimas Notícias
Mais Vistos