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Ordem dos Médicos exige investigação a morte de recém-nascido no hospital de Portalegre

28.01.2022 12:38

LISBON, PORTUGAL – 2021/02/18: An ambulance seen inside Santa Maria University Hospital´s premises, as Portuguese lockdown continues. Portugal, one of the countries hardest hit by the pandemic, authorised the renewal of the state of emergency until March 1st, to try to contain the coronavirus pandemic. (Photo by Gustavo Valiente/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

A morte do bebé terá sido provocada por “alegada falha” no socorro.

A Ordem dos Médicos (OM) defendeu, esta sexta-feira, que a morte de um recém-nascido no hospital de Portalegre, por “alegada falha” no socorro, deve ser “rapidamente investigada e esclarecida”, por configurar “uma situação muito grave”.

“A morte deste bebé tem de ser investigada até às últimas consequências para que todas as possíveis falhas sejam rapidamente corrigidas e a confiança da população na resposta de emergência seja restabelecida”, disse o bastonário da OM, Miguel Guimarães, em comunicado.

No comunicado, a Ordem dos Médicos aludiu às “informações vindas a público sobre a morte de um recém-nascido que acabou por ser transportado para o hospital de Portalegre pelos bombeiros sem ter sido assistido” pela Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Esta situação, caso se tenha verificado, configura “uma situação muito grave e que deve ser rapidamente investigada e esclarecida”, pode ler-se no comunicado.

A OM referiu que já “por diversas vezes” alertou “que a Emergência Médica Pré-Hospitalar representa uma área fulcral para o sucesso do sistema de saúde” nacional e que “qualquer disrupção no funcionamento deste sistema pode ter consequências negativas e imprevisíveis”.

“Temos conhecimento de vários buracos nas escalas das equipas médicas de suporte avançado de vida em várias zonas do país”, das equipas que integram as VMER e que “devem ser acionadas para situações mais delicadas, como a de Portalegre, pelo que nenhuma falha é admissível”, argumentou o bastonário da OM, afirmando que se trata de “uma área em que não podem ser permitidas falhas conjunturais, mas ainda menos estruturais”.

A OM lembrou que esta notícia “surge apenas uma semana depois de o bastonário ter enviado um ofício ao presidente do INEM, precisamente pelas centenas de horas que as VMER estavam inoperacionais”, e, agora, Miguel Guimarães “vai voltar a questionar o presidente do INEM sobre estas falhas”.

“Miguel Guimarães pediu as escalas de todo o país nos últimos seis meses e questionou o que está a ser feito para ultrapassar os constrangimentos que colocam em causa o socorro imediato a muitos portugueses”, mas esse ofício “ainda não mereceu resposta”.

Segundo a OM, “é crítico conhecer as escalas e cruzar esses mesmos dados com o número de casos em que o apoio das equipas das VMER era o mais adequado, mas que não foi acionado por falta de meios”.

A revista Sábado noticiou a morte de um bebé de oito dias, na quinta-feira, no hospital de Portalegre, “por falta de socorro médico”.

Segundo a notícia da revista, “o socorro foi pedido pelo pai da criança e os bombeiros foram acionados às 09:33”, depois de o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) ter dito que a VMER “do hospital de Portalegre não estava operacional”.

A Unidade de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), responsável pelo hospital de Portalegre, revelou hoje que vai instaurar um inquérito para apurar as circunstâncias da morte do recém-nascido.

A Lusa contactou o INEM, mas está ainda a aguardar esclarecimentos sobre esta situação.

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