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“Quem quiser radicalizar-se, pode fazê-lo”: Internet tem “manuais a ensinar a fazer bombas”

“Quem quiser radicalizar-se, pode fazê-lo”: Internet tem “manuais a ensinar a fazer bombas”

Alexandre Guerreiro aborda a atuação da Polícia Judiciária ao impedir um atentado terrorista na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O especialista em segurança, Alexandre Guerreiro, analisa a tentativa de atentado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Começa por referir que existe uma tendência para que cada serviço de segurança conserve, para si, alguma informação, contudo, “no final, há sempre um sentido de Estado”, pelo que as informações são partilhadas.

O especialista em segurança destaca, também, o trabalho conjunto entre as forças de segurança portuguesas e as homólogas estrangeiras.

Destaca ainda que a Polícia Judiciária (PJ), por poder participar no processo penal, ao contrário dos serviços de informações, acaba por ser “quem vai ao terreno” e ter acesso às informações, pois é esta entidade que possui poder para iniciar investigações, buscas, entre outros, contrastando com o exemplo norte-americano, “em que há um excesso de serviços e forças de segurança, que atrapalha mais do que ajuda”.

Relativamente ao recurso, pelo suspeito, à Dark Web para montar o plano para o ataque, Alexandre Guerreiro explica que “temos até outros meios, como redes sociais ou de trocas de mensagens”, dando o exemplo do Telegram.

“Quem souber procurar, pode chegar a este tipo de grupos”, onde tem informações e pode ter meios para levar a cabo estes atos”, acrescentando o exemplo do “‘Rocket.Chat’, que já é usada pelo Daesh, mas também jogos online”.

“Quem quiser radicalizar-se, pode fazê-lo, sem ter um contacto da organização”, bastando ter acesso a um conjunto de dados, obtendo meios e conhecimento para um possível ataque, explica.

Alexandre Guerreiro aponta, ainda, que, “na Internet, estão vários manuais a ensinar pessoas a fazer bombas”, pelo que, para quem deseja planear um ataque desta natureza, “tendo a vontade, capacidade e oportunidade, então com certeza que vai ser desencadeado”.

“Não é só o terrorismo jihadista que deve preocupar as autoridades”, defende, referindo que “a principal ameaça para a Europa são os extremismos”, tanto de Direita, como de Esquerda.

Por fim, destaca que “teve de haver algum rasto pelo caminho que chamou a atenção” das autoridades para o ataque planeado pelo suspeito.

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