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Há concelhos do Norte a recusar recomendação do Governo para aumentar tarifa da água

Há concelhos do Norte a recusar recomendação do Governo para aumentar tarifa da água
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O Governo recomendou o aumento da tarifa da água para os grandes consumidores nos 43 municípios mais afetados pela seca.

Para atenuar os efeitos da seca, o Governo recomendou, esta quarta-feira, o aumento da tarifa da água para os grandes consumidores - que gastam pelo menos 15 metros cúbicos de água por mês - nos municípios mais afetados pela seca.

O Governo explicou que o aumento da tarifa se destina aos 43 municípios com menos água, adiantando que "nada impede que outros" concelhos o façam. Neste momento, há pelo menos sete municípios que já disseram, segundo o Jornal Público, que não vão avançar com este aumento.

Os oito municípios que fazem parte das Águas do Interior Norte emitiram um comunicado onde afirmam não concordar com a recomendação. Destes, apenas seis (Vila Real, Murça, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Mesão Frio e Torre de Moncorvo) fazem parte do conjunto de municípios com menos água identificados pelo Governo.

A Águas do Interior Norte (AdIN) fala numa "dupla penalização" e lembra que a região Norte já compra a água mais cara a um fornecedor exclusivo, do qual o Estado é o principal acionista.

A AdIN considera ainda que o foco desta medida deveria estar nos concelhos do litoral, onde existe maior concentração de população e se verifica "praticamente todo o volume de água consumida", afirmou ao jornal o vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Vila Real e presidente do Conselho de Administração das Águas do Interior Norte.

Nestes concelhos já estão a ser implementadas algumas das medidas que foram recomendadas pelo executivo, como a troca de contadores, e estão expectantes quanto "à materialização dos prometidos apoios financeiros" por parte do Governo, para que o avanço das medidas aconteça mais rapidamente.

Também Fernando Ruas, autarca de Viseu, ao Público, considerou que as medidas anunciadas vão ter um impacto pequeno, por já estarem a ser executadas. Quanto ao aumento da tarifa, diz que não resolve nada, porque só iria abranger 8% do consumo total do concelho. Ruas sugere ainda ao Governo o aproveitamento das águas residuais como forma de combate à seca, medida que já é posta em prática no concelho.

Para os 43 concelhos em situação mais crítica, o Governo também recomendou restrições no uso da água como a suspensão temporária de lavagem de ruas ou do uso de piscinas, e prevê também um “regime sancionatório para penalizar usos indevidos de água”.

A lista dos concelhos em situação crítica:

  1. Aguiar da Beira
  2. Alfândega da Fé
  3. Alijó
  4. Aljezur
  5. Armamar
  6. Carrazeda de Ansiães
  7. Carregal do Sal
  8. Celorico da Beira
  9. Chaves
  10. Fornos de Algodres
  11. Guarda
  12. Lagos
  13. Macedo de Cavaleiros
  14. Mangualde
  15. Mêda
  16. Mesão Frio
  17. Mogadouro
  18. Moimenta da Beira
  19. Montalegre (pode servir Boticas e Ribeira de Pena)
  20. Mortágua
  21. Murça
  22. Nelas
  23. Oliveira de Frades
  24. Penalva do Castelo
  25. Peso da Régua
  26. Pinhel
  27. Santa Comba Dão
  28. Santa Marta de Penaguião
  29. São João da Pesqueira
  30. São Pedro do Sul
  31. Sernancelhe
  32. Tábua
  33. Tabuaço
  34. Tarouca
  35. Tondela
  36. Torre de Moncorvo
  37. Valpaços
  38. Vila do Bispo
  39. Vila Flor
  40. Vila Nova de Foz Côa
  41. Vila Real
  42. Viseu
  43. Vouzela

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