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Falta de médicos de obstetrícia nas urgências: como resolver o problema?

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O Coordenador Nacional da Comissão de Urgências de Obstetrícia explica que só há "duas ou três formas de resolver o problema"

Perante a falta de médicos de obstetrícia e ginecologia nas urgências portuguesas, Diogo Ayres de Campos, Coordenador Nacional da Comissão de Urgências de Obstetrícia, sublinha que só há "duas ou três formas de resolver o problema". Entre elas está a possibilidade de concentrar recursos, fechando mais maternidades.

Só temos duas ou três formas de resolver o problema [da falta de médicos de obstetrícia e ginecologia nas urgências]: ou contratamos mais médicos, mas para isso tem que ser mais atraente o que se está a oferecer; ou reduzimos as equipas de urgência, mas para isso é necessário fazê-lo em segurança, assegurar que há menos pessoas a recorrerem às urgências; ou concentramos recursos e encerramos algumas maternidades. Não há assim outras medidas possíveis, que me esteja a lembrar, para resolver este problema”, afirma em entrevista à SIC Noticias.

Diogo Ayres Campos referiu também o relatório da Direção-Geral de Saúde sobre mortalidade materna, divulgado esta sexta-feira. O coordenador alerta para a necessidade de melhorar no aconselhamento a grávidas que têm doenças de maior risco e a grávidas de outros países, que sejam acompanhadas em Portugal.

[O relatório] tem mais a ver com o número de grávidas que temos de outros países: 31% das mortes ocorreram em grávidas que não são portuguesas. E temos muito mais patologia, ou seja, as mulheres que sabem que têm doenças graves mas optam na mesma por engravidar – estão no seu direito, como é óbvio – e que vão correr alguns riscos. Muitas delas sabem que correm estes riscos, outras não saberão, mas é mais isso que levou ao aumento da mortalidade”, explica.

O Coordenador Nacional da Comissão de Urgências de Obstetrícia sublinha que é necessário aumentar a informação prestada a estas mulheres que têm patologias graves para que possam tomar “uma decisão verdadeiramente informada sobre se querem ou não essa gravidez”.

Para as grávidas de origem estrangeira, Diogo Ayres Campos sublinha que é necessário iniciativas direcionas para evitar dificuldades que possam estar associada às dificuldades na língua portuguesa.

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