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Confronto devido a marido de ministra acaba com pedido de desculpa do PS

Confronto devido a marido de ministra acaba com pedido de desculpa do PS
TIAGO PETINGA/Lusa

Durante uma audição no Parlamento, a IL pediu a demissão da ministra Ana Abrunhosa, depois de duas empresas do marido terem recebido fundos comunitários da área que tutela. Uma deputada do PS não gostou e os partidos reagiram.

O Partido Socialista (PS) e Iniciativa Liberal (IL) envolveram-se esta manhã de quarta-feira num confronto tenso na Assembleia da República, que acabou com o PS a pedir desculpas. Mas vamos por partes.

Pelas 11h15, a ministra da Coesão Territorial apresentou-se no Parlamento no âmbito do requerimento apresentado pelo Grupo Parlamento do PSD, sobre o estado do ordenamento do território".

Acontece que, no decorrer da audição, o deputado da IL, Carlos Guimarães Pinto, pediu a demissão de Ana Abrunhosa. Porquê? Por, revelou o liberal, duas empresas do marido da ministra terem recebido fundos comunitários da área que a governante tutela.

O IL aponta para o que classifica de "conflito moral evidente" e defende que até ao final do dia de hoje, a ministra tem duas opções: ou se demite ou o marido devolve os fundos que recebeu.

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Quem não gostou do que ouviu foi a deputada do PS, Isabel Guerreiro, que pediu que a intervenção dos liberais fosse apagada e retirada da ata por tratar-se de um assunto que não estava na ordem de trabalhos.

“Eu não posso vir para aqui alegar factos que não têm a ver com aquilo que está na ordem de trabalhos. Não posso, estou impedida. (…) Não posso estar aqui a falar sobre o concerto que fui ver este verão porque não está na ordem de trabalhos. Por esse facto, acho que deve ser retirada a gravação e deve ser retirada essa parte desta ata”, contestou a deputada socialista.

PSD e Bloco de Esquerda falam em censura

À saída da audição quer o Partido Social Democrata (PSD), quer o Bloco de Esquerda, criticaram a atitude da deputada socialista, com o PSD a acusar mesmo o PS de querer impor o lápis azul na Assembleia da República.

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“Hoje o PS quis apagar declarações de deputados, que proferiram as suas declarações nos termos do regimento normal, e soubemos aquilo que foi voltar o lápis azul à democracia e ao sistema político português. É uma circunstância absolutamente lamentável”, contestou o deputado social-democrata Luís Gomes.

Aos jornalistas, a deputada do BE, Mariana Mortágua, afirmou que “as declarações da deputada do PS seriam graves se não fossem disparatadas”, vincando que “nenhum deputado tem o poder para apagar atas daquilo que se passa em comissões”.

“Penso que o grupo parlamentar do PS não acompanha estas declarações e que terá oportunidade para se retratar, espero que o faço é essa a atitude correta”, rematou a bloquista. E assim aconteceu minutos depois.

PS pede desculpa

Em nome do grupo parlamentar do PS, o deputado Pedro Delgado Alves pediu desculpa pelo sucedido, reconhecendo ter-se tratado de um momento “infeliz” da camarada de bancada e partido.

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“O PS pede desculpa à instituição parlamentar, à IL em particular e aos demais partidos que estiveram presentes na comissão, pela forma infeliz como a deputada do grupo parlamentar do PS solicitou a remoção de elementos da ata da reunião que tinha decorrido. Obviamente não nos parece ter havido uma intenção censória (…), no entanto efetivamente aquilo que foi declarado é algo que não acompanha a prática de várias décadas do PS nesta câmara, não corresponde aquilo que é a forma de registar não só historicamente aquilo que acontece nesta câmara, mas para garantir também o escrutínio parlamentar. Portanto pedimos desculpa pelo sucedido”.

E o IL já perdoou. O líder da bancada parlamentar garantiu que “o assunto está sanado, esclarecido e registamos esse reconhecimento do PS de uma má prática, de uma má atitude de uma sua deputada”.

Este episódio deve servir ao PS para fazer uma reflexão daquilo que é a sua prática, que permite que deputados seus depois se achem donos disto tudo e que se possam apagar atas, gravações, e intervenções de deputados democraticamente eleitos”, rematou Rodrigo Saraiva.

TIAGO PETINGA/Lusa

O incidente ocorreu durante uma das duas audições da ministra na comissão de Administração Pública, Ordenamento do Território e Poder Local, esta quarta-feira, no Parlamento.

Uma era relativa à falta de apresentação de um relatório sobre o ordenamento do território e outra regimental, na qual Ana Abrunhosa deveria responder a questões dos deputados em relação às áreas que tutela.

Na primeira audição, tanto o Chega como a IL pediram a demissão da ministra depois de uma notícia divulgada hoje pelo jornal Observador, segundo a qual o marido de Ana Abrunhosa concorreu a fundos quando a governante já tutelava as Comissões de Coordenação e de Desenvolvimento Regional (entidades responsáveis pela gestão dos fundos comunitários).

Na notícia do jornal Observador era ainda referido que a empresa, detida em parte pelo marido de Ana Abrunhosa, foi criada 15 dias antes do início da execução do projeto.

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