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Obras na Faculdade de Letras com parecer desfavorável da Câmara de Lisboa

Obras na Faculdade de Letras com parecer desfavorável da Câmara de Lisboa
Rafael Marchante

A notificação do chumbo foi dada em março. Dois meses depois, a autarquia recebeu uma nova versão do projeto e está agora a analisar a obra com as alterações propostas.

O primeiro pedido de licenciamento para a construção de um novo pavilhão da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) teve decisão desfavorável da Câmara Municipal em março, informou a autarquia, estando agora em análise um novo projeto.

Numa resposta escrita enviada à agência Lusa, a Câmara Municipal de Lisboa esclareceu que a notificação do chumbo foi dada no dia 24 de março de 2022 e que a decisão resultou do "impacto negativo significativo da nova construção no conjunto dos imóveis classificados da Reitoria, da Faculdade de Letras e da Faculdade de Direito".

Questionada sobre os detalhes do projeto que originaram o primeiro chumbo, a autarquia não explicou as razões.

"O processo de ampliação da Faculdade de Letras insere-se numa zona de elevado valor arquitetónico, em zona de proteção de património classificado", área que inclui os edifícios da Reitoria, da Faculdade de Direito, da Faculdade de Letras e uma zona especial de proteção do edifício do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

"Este enquadramento exige da parte dos serviços da Câmara Municipal de Lisboa uma análise particularmente cuidada e pormenorizada de qualquer projeto que proponha alterações arquitetónicas relevantes", acrescentou.

A autarquia recebeu uma nova versão do projeto de arquitetura no dia 11 de maio de 2022 e está agora a analisar a obra com as alterações propostas.

Devido ao local e características do edifício, além da Câmara de Lisboa, os trabalhos são também analisados pela Direção-Geral de Património Cultural, pela Autoridade Nacional de Aviação Civil e pela Unidade de Saúde Pública Francisco George.

Faculdade pretende construir edifício para substituir atual pavilhão

A Faculdade de Letras pretende construir um edifício para substituir o atual pavilhão, conhecido na comunidade académica por "pavilhão novo", que servia de apoio ao edifício principal, mas está degradado e teve de ser encerrado.

À Lusa, a responsável pela cultura na Associação de Estudantes da FLUL, Inês Félix, explicou que "chovia dentro das salas, o teto estava literalmente a cair, seguro por uns ferros, o chão estava partido e havia ratos e cogumelos a nascer nos cantos das salas".

Inicialmente, a previsão apontava para a conclusão das obras do novo edifício no ano letivo 2023/2024, data que o vice-reitor da Universidade de Lisboa, Vítor Leitão, considerou "demasiado otimista" dados os atrasos. Apesar disso, Vítor Leitão aponta a abertura do pavilhão para 2024.

O fecho do "pavilhão novo" obrigou à concentração de todas as aulas e atividades no edifício principal e no da biblioteca. Como consequência, algumas aulas passaram a decorrer ao final do dia e as aulas de duas horas passaram a ter uma hora e 30 minutos.

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