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Lar cobra meia pensão extra aos idosos perante aumento dos custos da alimentação e energia

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Os familiares receberam a informação por carta.

Os idosos da Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo estão a ser obrigados a dar à instituição o apoio extraordinário pago pelo Governo aos pensionistas. Os familiares foram informados através de uma carta e sentem-se revoltados.

A queixa foi apresentada por um familiar de um utente da Lar Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo. Foi em outubro que recebeu uma carta a avisar que a instituição vai proceder à comparticipação familiar sobre o valor adicional recebido pelo cliente.

"Os 50% da pensão que os pensionistas receberam como apoio extraordinário do Estado iria ser cobrada pelo Lar da Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo, em novembro", disse uma testemunha anónima à SIC.

Apoio que esperavam para ajudar a pagar a mensalidade, que em alguns casos excede o valor total do utente. “Para além destes 110% que já excede a reforma mensal do utente ainda são cobradas fraldas, cabeleiro ou barbeiro, medicação. Este tipo de itens extras, para além disto ainda é cobrado um valor adicional por descendente”, revela a mesma testemunha.

Contactado pela SIC, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo, respondeu por escrito, referindo que o" aumento de custos com a alimentação e a energia têm sido um verdadeiro desafio na gestão das instituições sem fins lucrativos" e, por isso, consideraram "enquadrada e proporcional a revisão das comparticipações familiares no mês em causa".

Além disso, o provedor acrescenta que "este entendimento é corroborado pela União das Misericórdias", como confirma o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos.

“Essa receita extraordinária que foi entregue às pessoas e não à família das pessoas”, explica e acrescenta que o Governo foi muito claro. “Nestes casos, quem cuida das pessoas são as instituições”.

Opinião diferente têm os familiares dos utentes. “Se eles cobrassem por exemplo 10 ou 20% daquilo que nós recebemos agora do Estado, se calhar não acharia tão abusivo. (…) Isto é uma falta de sensibilidade enorme para com as pessoas. As famílias já fazem um esforço para fazer face a estas despesas. E claro que sim, seria uma ajuda para pelo menos um, dois meses”.

A SIC contactou o Ministério do Trabalho para esclarecimentos sobre se esta comparticipação extraordinária entra nas contas para as mensalidades dos lares, mas não obteve resposta.

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