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"Se a única coisa que posso fazer é votar contra" ida de Marcelo ao Qatar, "pois faço-o"

"Se a única coisa que posso fazer é votar contra" ida de Marcelo ao Qatar, "pois faço-o"
Rafael Marchante

Deputada Isabel Moreira justifica voto contra a ida de Marcelo ao Qatar.

Isabel Moreira foi uma das deputadas do Partido Socialista que votou contra o projeto de resolução sobre a deslocação do Presidente da República (PR) ao Qatar para assistir ao primeiro jogo da seleção nacional de futebol no Mundial 2022, na quinta-feira.

A deputada, numa publicação na rede social Facebook, justificou a decisão ao dizer que não se trata de uma viagem diplomática, mas sim de “um absurdo caucionamento de um mundial organizado de forma corrupta pela FIFA num país onde há trabalho escravo”.

"Gente morta para que possa haver estes tempos de futebol corrupto, tudo num país bárbaro em termos de direitos humanos. A "escolha" do Catar para organizar o já chamado "mundial da vergonha" traduz o pior de um mundo vergonhosamente impune dentro do qual os direitos humanos e a legalidade desportiva estão à venda", lê-se na publicação.

Admite estar “ciente de que não é a primeira vez que há mundiais em ditaduras”, mas “por outro lado estamos em 2022”: “Devemos ser mais exigentes e mais experientes”. Acrescentando que é a “própria FIFA” a dar razões para ser emitido “o sinal possível contra a presença dos titulares de órgãos de soberania no Catar onde a religião é a lei que faz das mulheres e dos homossexuais não-pessoas”.

Nesta publicação, Isabel Moreira deixa ainda duras críticas à “comparação entre 'acidentes de trabalho' no Qatar e em Estados de direito”, considerando que os migrantes “são uma ‘casta’ desumanizada (…), que trabalha sem direitos, debaixo de 50 graus, sem condições de vida, ameaçados, sem voz, esquecidos”.

E conclui: “Se a única coisa que posso fazer é votar conta a deslocalização do PR a assistir a jogos de futebol à conta do que é este horror corrupto e desumano, pois faço-o”.

Para além de Isabel Moreira, também Alexandra Leitão, Carla Miranda e Pedro Delgado Alves votaram contra este projeto de resolução e abstiveram-se os deputados do PSD Hugo Carneiro, António Topa Gomes e Fátima Ramos e os socialistas Maria João Castro, Miguel Rodrigues e Eduardo Alves.

Na segunda-feira, o Parlamento já tinha autorizado o Presidente Marcelo a ir ao Qatar com votos favoráveis de PS, PSD e PCP, uma votação que foi esta terça-feira confirmada em plenário com votos a favor das bancadas do PS, PSD e PCP, abstenção do Chega e votos contra de IL, BE, PAN e Livre.

No pedido de deslocação, que deu entrada no Parlamento, o Presidente da República solicitava a autorização para se ausentar do país entre 23 e 25 de novembro para assistir ao primeiro jogo da seleção no Qatar e admite a possibilidade de a deslocação se efetuar via Cairo para participar numa conferência sobre o "Futuro da Educação de Qualidade", juntamente com outros chefes de Estado.

Na mesma carta dirigida ao presidente do Parlamento, Marcelo refere que "foi acordada a participação das mais altas figuras do Estado nos jogos da Seleção das Quinas", estando prevista a presença do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, no segundo jogo (28 de novembro) e do primeiro-ministro, António Costa, no terceiro (em 2 de dezembro).

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