O primeiro caso ocorreu em novembro de 2020. Ana Costa dirigiu-se à clínica para fazer quatro ecografias e acabaria surpreendida por mais dois exames invasivos que não estavam prescritos.
Quando Ana regressou à clínica de radiologia, para levantar os relatórios dos exames, verificou que faltavam os dois que tinham sido realizados sem prescrição. Este caso e outro idêntico, relativo a outra paciente, deram origem a um processo judicial.
O Ministério Público acusou o médico, de 76 anos, pela prática de dois crimes de violação na forma consumada.
O arguido Telmo Moreno requereu abertura de instrução, mas o Tribunal manteve a acusação do Ministério Público e pronunciou-o pelos mesmos crimes.
Entretanto a Ordem dos Médicos aplicou ao radiologista a pena disciplinar mais leve, apenas censurando o ato não preconizado.
Médico continua a exercer
O médico continua a exercer no Hospital Privado de Bragança, para onde Ana terá sido encaminhada recentemente para realizar uma nova ecografia.
O Hospital Privado de Bragança não respondeu à tentativa da SIC em obter uma reação.
A SIC sabe que o único radiologista existente no Hospital de Bragança apenas consegue assegurar o serviço interno da unidade. Assim sendo, quem quiser fazer, em Bragança, exames radiológicos que exijam a presença de um médico, tem de recorrer ao Hospital Privado onde exerce o arguido.
O caso de Ana, que começa a ser julgado em outubro, tem quase três anos.
Contactado pelo SIC, o médico em causa recusou pronunciar-se sobre o assunto até ao julgamento.
Telmo Moreno foi Governador Civil de Bragança na década de 80 e deputado do PSD no início dos anos 90.
