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Em Portugal, 600 mil pessoas não têm dinheiro para aquecer a casa

Para mais de um milhão de famílias, as despesas de energia representam mais de 10% dos rendimentos. 70% dos edifícios de habitação têm classe energética C ou inferior.

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Mais de 600 mil pessoas em Portugal não têm dinheiro para aquecer a casa no inverno, ou arrefecê-la no verão. Erradicar a pobreza energética até 2050 é o principal objetivo da Estratégia Nacional de Combate, publicada esta semana.

Estima-se que em Portugal entre dois e três milhões de pessoas estejam em situação de pobreza energética. Não têm dinheiro para garantir o conforto térmico da casa ou, para não gastar tanto, restringem o uso dos equipamentos que têm.

1 milhão e 800 vivem em casas que não conseguem manter devidamente aquecidas e dois milhões e meio lidam com infiltrações e humidade. Para mais de um milhão de famílias, as despesas de energia representam mais de 10% dos rendimentos.

70% dos edifícios de habitação têm classe energética C ou inferior.

O retrato é traçado na Estratégia Nacional de Combate à Pobreza Energética, um documento orientador para a erradicar até 2050. Várias versões preliminares e duas consultas públicas depois, foi aprovada pelo Governo em novembro e publicada esta semana.

“É uma meta ambiciosa, desejável, mas extremamente difícil. Tudo depende de como estará o nível de vida dos portugueses ao longo das próximas décadas”, disse à SIC, Francisco Ferreira, do Zero.

A estratégia traça grandes objetivos e aponta caminhos que vão ser postos em prática pelo Observatório Nacional da Pobreza Energética. Vai ser criado nos próximos dias. Presidido pela Direcção-Geral de Energia e Geologia, terá de criar um plano de ação a cumprir até 2030, outro até 2040 e um terceiro até 2050. As medidas vão sendo revistas e as que forem implementadas vão ser financiadas por fundos nacionais e europeus.

“É muito importante identificar as situações mais dramáticas”, acrescentou Francisco Ferreira.

Aumentando o desempenho energético das casas, reduzindo o número de famílias com dificuldade em pagar os serviços essenciais e promovendo a literacia energética, espera-se que em 26 anos a percentagem de pessoas que não conseguem manter a casa fresca no verão caia para menos de 5% e o número de pessoas que não a conseguem ter quente no inverno desça para menos de 1%.