O Ministério Público admite dúvidas quanto à existência de crime em alguns factos que investigou na Operação Influencer, concretamente as suspeitas que envolvem João Galamba e João Matos Fernandes.
No despacho que fez o caso ser separado em três inquéritos autónomos, a que a SIC teve acesso esta sexta-feira, os procuradores reforçam, por outro lado, fortes indícios criminais na investigação relacionada com o data center de Sines, construído pela Start Campus.
"As condutas relacionadas com o projeto de data center e a Start Campus [...] foram as únicas relativamente às quais se considerou existir desde já fortes indícios para fundamentar a aplicação de medida de coação mais gravosa do que o termo de identidade e residência”, pode ler-se.
As suspeitas levantadas pelo futuro data center de Sines motivaram as detenções, em novembro, dos suspeitos Diogo Lacerda Machado, Vítor Escária, Afonso Salema, Rui Oliveira Neves e Nuno Mascarenhas.
O Ministério Público chegou a pedir prisão preventiva para Lacerda Machado e Vítor Escária, mas por decisão do juiz de instrução ficaram apenas proibidos de viajar para o estrangeiro. No caso de Lacerda Machado, muitas vezes descrito no passado como ‘o melhor amigo de António Costa’, ficou ainda obrigado a uma caução de 150 mil euros.
O Ministério Público recorreu para o Tribunal da Relação e ao mesmo tempo decidiu separar o processo em três inquéritos autónomos: um para o data center, outro para a exploração de lítio em Montalegre e Boticas e um terceiro inquérito que junta o projeto de hidrogénio verde em Sines e outras condutas em relação às quais, no final de novembro, admitia ainda ter dúvidas.
"Quanto a alguns dos restantes factos, mostra-se ainda por comprovar a existência de indícios da própria ocorrência de crime, o que carecerá de análise necessariamente mais demorada."
Ao que a SIC apurou, as dúvidas dizem respeito a factos mencionados no mesmo despacho, alegadamente praticados pelos dois últimos ministros do Ambiente: a utilização de veículos do Estado por João Galamba, a contratação de João Matos Fernandes para uma sociedade de advogados que assessorava empresas de resíduos e a imposição de membros de um juri para o concurso da nova ponte sobre o rio Douro.
O inquérito a António Costa, que se demitiu na sequência deste caso, vai também correndo na Justiça. De acordo com a revista Visão, que cita fonte da Procuradoria-geral da República, a decisão de abrir um inquérito ao ainda primeiro-ministro foi da exclusiva responsabilidade de Lucília Gago.
