Enquanto uns chegam aos acidentes preocupados com o que está a acontecer no imediato salvar vidas ou minimizar as consequências para os envolvidos, o foco destes militares da GNR são os vestígios, os pormenores, porque é aí que estão as respostas.
Os militares do núcleo de investigação criminal de acidente de viação da GNR estão espalhados pelos vários distritos e investigaram, em média, mais de 1.300 sinistros nos últimos anos. A eles cabe a tarefa de explicar o que muitas vezes ninguém viu, ter as respostas que só os vestígios podem dar.
Quando os métodos tradicionais não chegam, a GNR concentra parte dos processos na divisão de investigação criminal em Alcabideche. Cada medida e cada detalhe é depois trabalhado informaticamente e o resultado permite aos tribunais perceber como cada interveniente viveu o momento do acidente.
Em 2022 morreram 406 pessoas e mais de 1.700 ficaram feridas com gravidade. Números que aumentaram no ano seguinte para 408 vítimas mortais e 1.861 feridos graves. Esta é, aliás, uma das maiores dificuldades destes militares: criar uma barreira entre a razão e a emoção.
Nos últimos anos, a investigação destes militares tem evoluído para crimes em meio rodoviário. São eles que muitas vezes ajudam a compreender o que as patrulhas encontram nas fiscalizações na estrada.
Por exemplo, a colocação de um íman que altera a contabilização de horas de um motorista de camião ao volante. O tacógrafo digital ajuda a baixar o número de irregularidades nos tempos de descanso dos motoristas, mas à medida que passam os anos hácada vez mais métodos para contornar a lei.
O trabalho em equipa é a solução para um maior sucesso na deteção destes crimes. A GNR de Viseu está, por exemplo, a investigar empresas que usam mais do que uma matrícula por reboque ou semi-reboque.
Só numa operação que a SIC acompanhou foram fiscalizadas dezenas de veiculos pesados de mercadorias e registados 30 autos de contraordenação, alguns dos quais relacionados com desrespeito pelos tempos de descanso.