Um luso-belga está a ser acusado de espionagem e terrorismo na República Centro-Africana. A família insiste que se trata de um mal-entendido e que Joseph Martin trabalha há uma década em projetos de coesão social e ajuda humanitária em África. Em caso de condenação, a pena pode chegar a prisão perpétua.
Joseph Figueira Martin tem 41 anos, dupla nacionalidade - portuguesa e belga –, é residente em Tavira e trabalha há uma década em projetos de coesão e ajuda humanitária, como consultor da organização não governamental FHI 360.
Foi detido a 26 de maio na República Centro-Africana. De acordo com o Ministério Público local, é suspeito de espionagem, fornecimento de dinheiro e armas aos rebeldes e de encorajar grupos armados à criação de um ramo terrorista internacional, além de incitamento ao ódio e rebelião.
“Um tremendo mal-entendido”
A família do luso-belga está em choque, fala em injustiça. Joseph estaria no final de uma missão de três semanas, quando foi abordado por um grupo de mercenários russos, na cidade de Zemio. Não tinha com ele a identificação e acabou detido. As movimentações em zonas remotas e os contactos com pastores fulani terão levantado suspeitas.
A família explica que o consultor da ONG norte-americana estava a desenvolver projetos com esse grupo étnico de pastores seminómades.
Os fulani têm sido associados a vários movimentos jihadistas entre o Senegal e o Sudão.
“Eles não devem estar entendendo porque é que ele estaria a deslocar-se para esses lugares que eles consideram sensíveis. E isso faz simplesmente parte do trabalho dele, que é procurar ajudar os que estão em situação mais vulnerável”, afirma Georges Martin, irmão de Joseph.
Prisão perpétua e trabalhos forçados
Joseph foi formalmente acusado de terrorismo e de atentar contra a segurança do Estado. Se for condenado, pode ficar em prisão perpétua e ter de cumprir trabalhos forçados.
Além da ONG ligada a questões de saúde publica para a qual trabalhava, a família conseguiu reunir cartas abonatórias dos anteriores empregadores.
Joseph, que tem um filho com três meses no Algarve, tem recebido o apoio consular de Portugal e da Bélgica. Apela aos dois países que continuem a dar vigilância máxima ao caso. Desde a detenção, há um mês, a família conseguiu falar com o luso-belga uma vez, através da Cruz Vermelha.
