Em Carregal do Sal, a capela de Nossa Senhora dos Carvalhais está abandonada há quase meio século. Apesar do esforço da população, nenhum projeto conseguiu reerguer o edifício do século XVIII.
Os cânticos da via sacra em torno da capela de Nossa Senhora dos Carvalhais já são apenas memórias de outros tempos. A tia Ermelinda é das poucas fiéis que ainda aproveita a sombra dos carvalhais para agradecer à Santa que já não mora lá.
A vida deste santuário é rica em história, mistérios e lendas, como tantos outros. A Nossa Senhora dos Carvalhais foi assim batizada quando a figura Santa foi encontrada na toca de um carvalho.
Viviam-se tempos de guerra entre mouros e cristãos e Nossa Senhora terá resistido à ira dos homens. Na aparência atual, ou o que resta dela, o templo tem data de início no século XVIII, hoje apenas ruína.
Depois de 1974, época de liberdade e alguns excessos terem levado ao saque quase total do património, dos roubos ao abandono, do abandono à ruína, ninguém conseguiu impedir o destino.
A Junta de Freguesia de Oliveira do Conde, em Carregal do Sal, vai a par da tia Ermelinda, dando a dignidade possível ao que resta deste património.
A Feira dos Carvalhais, que se realiza todos os meses junto ao santuário, devia contribuir para manter o culto, fosse ainda cumprida a ordem de D. João V em 1739. Mas o tempo dos reis já lá vai, diz o povo, e o templo ao abandono fica, mantendo apenas a história.
A figura de Nossa Senhora dos Carvalhais, em Carregal do Sal, é o que resta intacto da história deste espaço e está guardada na igreja matriz de Oliveira do Conde, talvez à espera de um dia poder voltar a casa.