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"Sobrelotação é um cancro no sistema prisional português": guardas queixam-se da falta de operacionais nas cadeias

Os guardas prisionais acusam o Governo de irresponsabilidade pela forma como está a conduzir o processo de encerramento definitivo do estabelecimento prisional de Lisboa. Avisam que a cadeia não tem capacidade para suportar a mudança de cerca de 30 guardas prisionais para a prisão de Tires, para acompanhar a transferência do primeiro grupo de reclusos.

Guarda prisional
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A transferência de reclusos para a prisão de Tires será concretizada por fases. O primeiro grupo de 160 reclusos deverá deixar a prisão de Lisboa em setembro logo que sejam concluídas as obras na cadeia de Tires.

O presidente da Associação Sindical de Chefias do Corpo da Guarda Prisional (ASCCGP), Hermínio Barradas, diz que a "sobrelotação é um cancro no sistema prisional português".

Ao todo são 906 reclusos segundo um documento interno da Direção Geral dos Serviços Prisionais a que a SIC teve acesso. Um número muito acima da lotação máxima se forem contabilizados os espaços entretanto encerrados por falta de condições.

Paulo Fernandes, guarda prisional na cadeia e delegado sindical e representante dos trabalhadores, queixa-se de falta de operacionais. Diz que numa ala em que se concentram entre 150 a 200 reclusos chegam a estar apenas dois guardas prisionais.

Garante que a situação vai piorar quando forem transferidos também 28 guardas prisionais para acompanhar os primeiros reclusos até à cadeia de Tires.

Os guardas asseguram que o serviço depende do recurso abusivo de agentes de folga e do excessivo trabalho suplementar. Contactado pela SIC, o Governo considera prematuro avançar com uma data definitiva para o encerramento da prisão de Lisboa.

Prevê-se, no entanto, que só aconteça em 2026 depois de concluídas todas as obras nos novos pavilhões das cadeias de Tires, Alcoente, Linhó e Sintra

Os guardas prisionais acusam as autoridades de irresponsabilidade. O investimento custará, aos cofres do Estado cerca de 24 milhões de euros, e foi anunciado há dois anos pelo anterior Governo.