Os pescadores que vão perder área de pesca com a criação do Parque Marinho do Algarve já podem concorrer a compensações financeiras. O anúncio foi feito pela ministra do Ambiente, em Albufeira. No entanto, os valores são abaixo do exigido pelas associações de pesca.
Para já, são quatro quilómetros quadrados da Pedra do Valado perdidos como pesqueiro, embora o recife que justificou a criação do parque natural marinho se estenda por mais de 150 quilómetros, ao largo de Lagoa, Silves e Albufeira. Virão, a seu tempo, mais restrições para proteger a vida que por lá se gera.
Quem aqui pesca salmonete, robalo, dourada, ou até mesmo cavala, chegou a queixar-se de que as compensações anunciadas não chegavam para compensar a perda de área de pesca. Mas a ministra do Ambiente trouxe-lhes exatamente o mesmo valor.
"1,2 milhões de euros é já uma quantia substancial. É a primeira vez que se fez em Portugal uma compensação por causa de um parque natural, é uma compensação neste caso aos pescadores por verem a sua atividade reduzida, limitada, não é proibida, mas limitada, porque tem algumas condicionantes pelo ICNF - Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, disse a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.
As candidaturas ao fundo ambiental já estão abertas e prolongam-se até 31 de outubro.
"É conquista" e "esperança", conheça o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve - Pedra do Valado - Exclusivo Online
Denominado Recife da Pedra do Valado, é o primeiro parque natural marinho criado em Portugal em 25 anos. Um processo inédito proposto pela comunidade, que envolveu mais de 80 entidades, incluindo os pescadores, que, além das tais compensações, pediam também ajudas para infraestruturas e, nalguns casos, abates.
Várias organizações não governamentais temem que a salmoura da futura dessalinizadora possa ser maior ameaça do que a pesca.