A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o roubo de duas peças de arte sacra. Os objetos foram levados da casa do padre da Póvoa de Lanhoso, onde estavam guardados. Além de uma coroa em ouro, desapareceu também uma cruz-relicário do século XVI que tinha estado numa exposição.
Seria um domingo de setembro igual a tantos outros, mas a revelação do furto deixou a paróquia de Oliveira em sobressalto.
Se falasse, a cruz-relicário que desapareceu contaria a história da vida e o mapa afetivo de Jesus. Datada de 1585, foi oferecida à Igreja de Oliveira, na Póvoa de Lanhoso, por um padre jesuíta. Contém 72 relíquias que a elevam ao patamar de tesouro religioso.
A cruz-relicário esteve em exposição durante quase um mês, ao lado de 30 custódias. As peças de arte sacra tinham sido emprestadas pelas paróquias e foram depois guardadas na casa do padre da Póvoa de Lanhoso. Mas ao sexto dia foi preciso chamar a Guarda Nacional Republicana (GNR).
“No sábado, vou a sair de casa e reparei que uma porta estava destrancada. Voltei para trás e vi que faltava a cruz e uma outra peça da paróquia, que é uma coroa de ouro”, conta o padre Armindo Gonçalves, pároco da Póvoa de Lanhoso.
Uma coroa de 20 mil euros e uma cruz milagrosa “sem preço”
A coroa feita com ouro oferecido pelos devotos valeria mais de 20 mil euros. Já a cruz, confessa o padre, não tem preço.
Salvou-se um pergaminho, fundamental para identificar as relíquias que teriam vindo da Terra Santa, que estava escondido.
Nos últimos anos, a cruz tinha fama de ser milagrosa, mas, nos últimos anos, raramente era vista em público. A devoção é antiga e tem raízes fortes na paróquia de Oliveira, que não se conforma com esta perda.
Com a cruz em parte incerta, resta a fé nos homens da Polícia Judiciária que estão a investigar o caso.
“[O criminoso] pode ser um fervoroso religioso ou pode ser um fervoroso colecionador, que tem uma peça em casa roubada – que nem sequer pode mostrar a ninguém, mas que se sente importante e rico por tê-la. Esta peça não pode ser comercializada por ninguém”, nota o historiador José Abílio Coelho.
Um mistério da fé, que junta pecado e crime no mesmo guião.
