É o primeiro diretor de uma cadeia a chegar a diretor-geral. Na memória a recente fuga de cinco reclusos de Vale de Judeus, sendo que apenas um foi localizado até à data. Orlando Carvalho dirige há 11 anos a prisão de Coimbra e chega agora ao topo da hierarquia. A sua nomeação não gera consenso, mas há quem a elogie.
"Para nós é uma escolha acertada por ser uma pessoa que conhece o sistema. Sabe onde estão as fragilidades e se quiser pode trabalhar", refere Frederico Morais, Presidente do Sindicato Corpo da Guarda Prisional.
Com 64 anos, Orlando Carvalho sucede a Rui Abrunhosa Gonçalves demitido após a evasão. Vai enfrentar nas 49 prisões do país uma mão cheia de problemas. A sobrelotação, a degradação do edificado. a escassez de guardas, baixos salários e a falta de atratividade da carreira.
A desmotivação aumenta ao ritmo elevado das aposentações e preocupado o Governo abriu mais 225 vagas para novos guardas prisionais. O primeiro concurso em dois anos, termina na próxima segunda-feira, e até agora nem 200 candidatos estão inscritos. Os tempos mudaram.
"Há 15 anos atrás chegavam a concorrer 5.000 pessoas para um concurso de 300/400", sublinha Hermínio Barradas, Presidente da Associação do corpo de chefias da Guarda Prisional.
Os candidatos serão depois sujeitos a várias provas e só cerca de 20% costumam ser admitidos. O Governo acena com um salário de 1717 euros brutos, mas os sindicatos falam em logro.
Faltam, dizem os sindicatos, 1200 guardas prisionais e 270 chefes. Esta quinta-feira, o Governo aprovou o novo sistema de avaliação de desempenho dos guardas prisionais.
Passa a estar equiparado ao da Polícia de Segurança Pública (PSP) permitindo uma progressão mais rápida na carreira.