Frederico Morais, líder do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, revela na antena da SIC Notícias que, apesar de a tomada de posse acontecer esta terça-feira, o novo diretor-geral dos Serviços Prisionais, Orlando Carvalho, já está a cumprir funções desde a semana passada. Sobre o estado do sistema prisional, garante que os profissionais do setor, "finalmente, começam a ver a luz ao fundo do túnel".
Desde a fuga dos cinco reclusos da prisão de Vale de Judeus, no início de setembro, que levou à demissão do então diretor-geral, Rui Abrunhosa Gonçalves, no estabelecimento prisional passou a haver um guarda em permanência no recreio dos reclusos e arrancou uma experiência piloto de câmaras térmicas, informa Frederico Morais.
Quanto a esta tecnologia, o sindicalista revela que já tinha sido requisitada "há muito tempo".
"Basta que alguém pise a zona que não deve que a câmara dispara e aciona de imediato a câmara que está a filmar aquela zona", explica.
Aponta que os guardas prisionais têm sido "incansáveis no combate à falta de segurança nas prisões" e refere que os profissionais "não só apontam os problemas como também as soluções".
"É óbvio que os serviços prisionais foram completamente abandonados durante as últimas duas décadas", reconhece.
Diz ainda que a fuga de Vale de Judeus fez com que o Governo, finalmente, "olhasse para o sistema prisional":
"Deram-nos voz, quiseram ouvir os nossos problemas e, finalmente, começamos a ver uma luz ao fundo do túnel", afirma.
"Tirar os serviços prisionais do buraco onde caíram"
Com o apoio do novo diretor-geral dos serviços prisionais espera conseguir "tirar os serviços prisionais do buraco onde caíram".
Frederico Morais informa que Orlando Carvalho tem como prioridade acelerar o concurso de guardas prisionais de forma a aumentar o contingente "o mais rápido possível".
Contudo, assume, os candidatos são poucos, algo que poderia mudar, caso o ordenado base aumentasse, considera.
"Nós não estamos aqui a pedir nada mais, nada menos do que a entrada da carreira do nível 15, ou seja, 1.300 euros de entrada. Nós estamos com 961, iremos para os 1.026 a partir de janeiro. Nós estamos a pedir entrada no nível 15, que é o grau de complexidade 3 da carreira da função pública. É o que nós estamos a pedir, é mais do que justo para as funções que desempenhamos", assegura.
Orlando Carvalho era até agora diretor do estabelecimento prisional de Coimbra, depois de já ter sido também diretor das prisões de Aveiro e de Vale de Judeus.
A cerimónia de tomada de posse está marcada para o meio-dia desta terça-feira e contará com as presenças do primeiro-ministro, da ministra da Justiça e do procurador-geral da República.