Mais de 300 médicos internos não querem fazer a formação especializada no Serviço Nacional de Saúde (SNS). As especialidades mais carenciadas são Medicina Geral e Familiar e Medicina Interna, com cerca de 30% de vagas por preencher. O bastonário da Ordem dos Médicos diz que a situação é preocupante.
O concurso para a formação especializada dos médicos internos no Serviço Nacional de Saúde para este ano terminou na segunda-feira. Das cerca de 2167 vagas abertas, 307 ficaram por ocupar.
“É muito preocupante, porque vai ter um impacto desastroso, em termos de recursos humanos médicos no SNS”, afirma Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos.
O bastonário fala num problema de “falta de atratividade” do SNS e lamenta que “o Ministério da Saúde e o Governo no seu todo não criem medidas verdadeiramente impactantes e concretas para resolver esta questão”.
"Um deserto de soluções"
Em Medicina Geral e Familiar e Medicina Interna sobraram quase 30% das vagas disponíveis. Especialidades sem as quais, alerta Carlos Cortes, os hospitais e as unidades de cuidados de saúde primários não funcionam.
“Se não houver entendimento do Ministério da Saúde da gravidade da situação em que nós estamos neste momento, daqui a poucos anos estaremos todos aqui a lamentar, mais uma vez, a falta de médicos no SNS”, diz o bastonário.
Carlos Cortes garante que a Ordem já apresentou um conjunto de medidas para tornar a carreira médica mais atrativa, mas nunca houve qualquer resposta por parte do Ministério da Saúde. E insiste que, sem médicos, os planos de contingência para o inverno não terão efeito.
“É um autêntico deserto de soluções. Elas não existem, elas não são implementadas”, critica. "A Ordem dos Médicos fez o seu trabalho. Infelizmente, os governos não têm feito a mesma coisa”, atira.
Sem respostas por parte da tutela, o bastonário receia que serão cada vez mais os médicos que irão optar por não trabalhar no Serviço Nacional de Saúde.