País

Comunistas elegem novo Comité Central

A próxima direção comunista será ligeiramente mais pequena, mais jovem e terá mais mulheres.

XXII Congresso do Partido Comunista Português (PCP), no Pavilhão Complexo Municipal dos Desportos “Cidade de Almada”, Setúbal
XXII Congresso do Partido Comunista Português (PCP), no Pavilhão Complexo Municipal dos Desportos “Cidade de Almada”, Setúbal
RUI MINDERICO

O 22.º Congresso do PCP, que decorre este fim de semana em Almada, vai eleger este sábado a nova composição do Comité Central do partido, que deverá consagrar uma direção com menos membros, mais jovem e com mais mulheres.

A próxima direção comunista será eleita às 18:30 pelos cerca de 1.040 delegados presentes no Congresso, numa votação que será feita à porta fechada e por voto eletrónico.

Após o anúncio público do resultado da votação, o novo Comité Central reunir-se-á para debater e eleger a composição dos seus órgãos executivos - Comissão Política e Secretariado - que só será, contudo, divulgada no domingo.

De acordo com a lista apresentada pelo Comité Central cessante ao 22.º Congresso, a próxima direção comunista será ligeiramente mais pequena - passará a ter 125 membros, contra os 128 atuais -, mais jovem (a média de idades passa dos 49 anos consagrados em 2020 para os 48) e terá mais mulheres (a proporção aumenta de 27,3% para 30,4%).

No total, entram 25 novos membros e saem 28, entre os quais a ex-deputada do PCP Alma Rivera, a antiga eurodeputada Ilda Figueiredo e os membros da Comissão Política do Comité Central Armindo Miranda e João Dias Coelho.

Deverão transitar para a próxima direção, do Comité Central cessante, 100 membros, entre os quais o ex-secretário-geral do PCP Jerónimo de Sousa, o eurodeputado João Oliveira, o vereador na Câmara de Lisboa e ex-candidato presidencial João Ferreira, a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, o deputado António Filipe, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, e o ex-autarca de Loures Bernardino Soares.

A eleição do próximo Comité Central do PCP será o momento alto do segundo dia do Congresso do PCP, que começará às 09:30.

Na sexta-feira, Paulo Raimundo abriu a reunião magna dos comunistas com críticas ao PS, que acusou de cumplicidade com o Governo - avisando que, no atual momento nacional, "não se pode ficar em cima do muro" -, e considerou que está em curso uma "ofensiva anticomunista e uma campanha de desinformação à escala global".

Num discurso que durou quase uma hora, o secretário-geral do PCP apelou ainda a um "alargamento da convergência de democratas e patriotas" para romper com políticas de direita e reconheceu que o partido enfrentou nos últimos quatro anos "um quadro muito exigente".

"Precisamos de recrutar mais, recebendo e integrando aqueles que se dirigem ao partido, mas acima de tudo precisamos de tomar a iniciativa para contactar, mobilizar e convidar para ingressarem no partido", disse.