São cada vez menos os interessados em vestir as fardas da PSP e GNR. Em 13 anos, o número de candidaturas caiu mais de 70%, sobretudo devido aos salários e condições de trabalho. Os cursos de formação, antes cheios, têm agora cadeiras vazias.
Antes "eram sempre para cima dos 10 mil candidatos para mil vagas", disse, à SIC, César Nogueira, da Associação dos Profissionais da Guarda.
Os números, avançados pelo jornal Público, preocupam e confirmam a tendência da última década. Em 13 anos, as candidaturas caíram mais de 70%. Em 2012, por exemplo, houve mais de 21 mil candidatos, número que baixou para pouco mais de 6 mil no ano passado, ou seja, uma diminuição de 72%.
As razões são compreensíveis e até esperadas, dizem os sindicatos das forças de segurança. Bruno Pereira, presidente do SNOP, referiu que "é importante rever tabelas remuneratórias que estão por rever há quase 20 anos”.
Para além dos atuais salários, policiais e militares da GNR queixam-se também da falta de condições de trabalho.
Há um ano e meio, um relatório da IGAI, a Inspeção-Geral da Administração Interna, já alertava para a insuficiência de operacionais para assegurar patrulhas 24 horas por dia.
Governo e forças de segurança iniciaram, nesta segunda-feira, no Terreiro do Paço, uma nova ronda de negociações para a revisão do estatuto profissional e dos salários.
Até final de março, Governo e forças de segurança já têm agendadas pelo menos três novas reuniões.