Nos concelhos de Almada, Loures e Seixal, os bairros de barracas têm crescido desde o final da pandemia, mas com maior expressão nos últimos dois anos.
É num cenário idílico com vista para o rio que a realidade se afasta do sonho. Manuela tem 60 anos, veio de Cabo Verde há seis. É doente oncológica e ainda está à espera da nacionalidade portuguesa. Vive no Bairro da Penajoia, em Almada, há um ano.
“Sim, estava a arrendar casa. Eu, minha neta e meus filhos. Sai porque a senhora já tinha pedido a casa e nós não encontrámos casa porque a minha neta não ganhava o suficiente para pagar uma renda de mil euros. Nós vimos para aqui não é porque queríamos viver aqui. Água há, mas luz é de vez em quando", conta Manuela.
A maioria da mobília desta pequena casa que acolhe cinco pessoas foi encontrada no lixo.
Aqui moram sobretudo imigrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, muitos ainda à espera de regularização. As casas são, sobretudo, de alvenaria, com mais qualidade estrutural do que as barracas, mas não deixam de ser precárias e sem saneamento.
