André Ventura acusa o presidente da Assembleia da República de violar o dever de imparcialidade. O líder do Chega considera que José Pedro Aguiar-Branco prestou “um mau serviço à democracia” com as declarações que fez sobre o PS e o Chega.
Aguiar-Branco afirmou, durante a intervenção que fez no Conselho Nacional do PSD, na última noite, que o secretário-geral do PS,Pedro Nuno Santos, fez "pior à democracia em seis dias do que André Ventura em seis anos".
As declarações foram tidas como “graves” pelo PS, que respondeu que José Pedro Aguiar-Branco tem sido "garante da instabilidade no Parlamento". E também não caíram bem junto de André Ventura.
Em declarações aos jornalistas, esta tarde, no Palácio de Belém, após a reunião do Conselho de Estado, o líder do Chega lamentou “profundamente” as palavras do presidente da Assembleia da República.
“Acho que prestou um mau serviço à democracia”, declarou Ventura.
"Devia ser o presidente de todos os partidos"
Na opinião do líder do Chega, Aguiar-Branco deveria ser “o presidente de todos os partidos representados no Parlamento”, mas “optou por fazer um juízo que não lhe cabe a ele, esquecendo a sua função”.
“Em vez de defender imediatamente o regimento, a lei, a Constituição e a pluralidade dos partidos, optou por atacar os dois partidos que não viabilizaram a moção de confiança” do Governo, notou Ventura, para quem a situação representa uma violação do dever de imparcialidade.
André Ventura considera que apesar de as declarações de Aguiar-Branco terem acontecido à porta fechada num evento do PSD, foram “feitas propositadamente e colocadas cá fora com um objetivo”: dar “um sermão a dois partidos”.
Acusando o presidente da Assembleia da República de “cobardia política”, por estar em causa uma moção de confiança de um Governo PSD, o partido a que Aguiar-Branco pertence, Ventura afirma que este “não foi capaz de defender a Constituição e a lei”.
“Lamento muito que Aguiar-Branco tenha optado por este caminho, que mostra bem já o que podemos esperar dos próximos tempos do cenário parlamentar e político”, concluiu.