Em mais uma das muitas promessas para o IP3, o Governo anunciou esta semana que a via passará a ter perfil de autoestrada entre Coimbra e Viseu. No terreno, só está terminada uma pequena parte das obras de requalificação anunciadas há anos e os acidentes graves continuam a ser uma realidade.
Se as promessas dos últimos 20 anos valessem quilómetros de asfalto, o IP3 já seria uma estrada de excelência. José Sócrates prometeu uma autoestrada à boca das urnas. Pedro Passos Coelho veio falar da Via dos Duques.
Confuso ficou apenas quem acreditou nas promessas para o IP3, estrada que até já foi moeda de troca para não ser reposto o tempo de serviço dos professores.
A verdade é que a obra só começou com quem chegou depois, com uma certeza bem clara: afinal, como alguém dizia, para a obra acabar, ela tem de começar. E, em 60 dos 75 quilómetros entre Coimbra e Viseu, as obras ainda nem sequer arrancaram.
Terminada está apenas a primeira de quatro fases da requalificação e duplicação, precisamente o troço em que, no projeto atual, o IP3 não tem perfil de autoestrada.
Agora, o Governo diz que as obras no troço entre Santa Comba Dão e Viseu devem arrancar ainda este mês e ficar prontas antes do fim de 2027. Esta segunda fase vai custar 103 milhões de euros.
A Infraestruturas de Portugal parece não ter tantas certezas, diz apenas que tudo está a ser definido com o Executivo.
Se for mesmo para valer, ainda não será uma obra que termine com o próximo Governo. Pelas contas da Infraestruturas de Portugal, uma ligação integralmente em perfil de autoestrada entre Coimbra e Viseu só poderá ser realidade lá para o início da década de 2030.
