O Governo considera que o inquérito dos Estados Unidos às universidades portuguesas viola a Constituição e elogia as instituições por se recusarem a responder, mesmo com o risco de cortes no financiamento. No entanto, não formalizou qualquer protesto junto da embaixada norte-americana, como defende o Bloco de Esquerda, que esta segunda-feira esteve na Faculdade de Letras de Lisboa em ação de pré-campanha.
É a primeira posição oficial do governo sobre o inquérito da administração Trump às universidades portuguesas:
"Nós saudamos imenso a posição das universidades portuguesas que foi a de não responder a esse inquérito por considerarem absolutamente intrusivo e contrário à sua autonomia", referiu Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, esta segunda-feira, no Luxemburgo.
Seis universidades tinham uma parceria para divulgação da cultura norte-americana e de informação técnico-científica.
O programa ‘AmericanCorners’, 20 mil euros por ano, foi suspenso e, no mesmo dia, a Embaixada dos Estados Unidos reencaminhava um inquérito onde se pretendia saber, por exemplo, se as instituições colaboravam com organizações terroristas, se trabalhavam com entidades ligadas ao comunismo ou socialismo, em que medida contribuíam para conter a influência maligna da China, ou então questões relacionadas com projetos de justiça climática, a defesa das mulheres e políticas de ideologia de género.
Mariana Mortágua quer protesto formal do Governo
No total, 36 perguntas que não tiveram resposta por parte das universidades portuguesas.
Na Universidade de Lisboa, a Faculdade de Letras foi uma das contempladas pelo inquérito da Administração Trump. Depois de uma reunião com a direção, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, pediu uma posição firme por parte do Governo português.
"O embaixador dos EUA devia ser chamado pelo Governo para lhe ser transmitida a posição oficial do Governo português de que Portugal é uma república soberana que não aceita ingerências na sua política científica ou em qualquer área soberana e da nossa governação."
O responsável pela diplomacia portuguesa não avançou, no entanto, com qualquer protesto oficial e formal junto da embaixada norte-americana.