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Acusado de lesar o Estado em meio milhão de euros, Luís Filipe Vieira insiste na sua inocência

Vieira negou ter lesado o Estado em meio milhão de euros e mostrou-se orgulhoso do trabalho realizado durante a sua presidência no Benfica. Vieira destacou a profissionalização do clube e a redução significativa da dívida durante o seu mandato.

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O ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, mostrou-se esta quinta-feira convicto de que os alegados serviços da Questão Flexível no clube foram executados e revelou-se orgulhoso pelo trabalho que efetuou, durante o julgamento do processo 'Saco Azul'. É acusado de lesar o Estado português em meio milhão de euros mas diz que é inocente.

No Tribunal Central Criminal de Lisboa, Luís Filipe Vieira foi ouvido durante pouco mais de 30 minutos na segunda sessão do julgamento, respondendo ao coletivo de juízes, à procuradora do Ministério Público (MP) e aos advogados dos arguidos.

"Ao longo do tempo, vamos criando uma relação e comecei a ter uma confiança lúcida. Tenho a certeza de que o serviço foi executado. O Miguel Moreira contou-nos o que era o projeto e, com aquilo que ele transmitiu, fiquei sereno", explicou, embora admitindo ser "um bocado leigo" no que respeita a assuntos informáticos.

O antigo dirigente 'encarnado' salientou que, muitas vezes, assinou "de cruz" contratos devido à confiança e autonomia que depositou em Domingos Soares de Oliveira ou em Miguel Moreira, também arguidos no processo, dentro da estrutura.

"Conheço perfeitamente as pessoas que estão no Benfica. Fazer um contrato para desviar dinheiro do Benfica era impossível. Não é convicção só por gostar dele. É uma confiança lúcida, por decisões que tinham sido tomadas, que iam sempre ao encontro do que estava acordado", reforçou o líder do Benfica entre 2003 e 2021.

Luís Filipe Vieira salientou que, quando chegou ao Benfica, percebeu que "a mais-valia que podia dar era profissionalizar o Benfica", o que originou a contratação de Domingos Soares de Oliveira, tendo feito um balanço positivo da sua presidência.

"Tenho muito orgulho no trabalho que desenvolvemos até à minha saída. Éramos um exemplo em termos europeus e muitos clubes tentaram-nos copiar. Inovámos muito em Portugal, em todas as áreas, graças aos profissionais que tínhamos. O Benfica chegou a ter um pico de endividamento de 380 milhões de euros. Quando saímos, a dívida já estava abaixo dos 100 milhões. O Benfica foi bem gerido e eles tiveram uma quota-parte nisso. A SAD teve sempre um resultado positivo", frisou.

Neste processo, que começou a ser julgado em abril no Juízo Central Criminal de Lisboa, está em causa um alegado esquema de pagamentos fictícios a uma empresa de informática externa ao grupo Benfica, a Questão Flexível, num valor que ultrapassa 1,8 milhões de euros.

De acordo com a acusação, confirmada em junho do ano passado por um juiz de instrução, o ex-presidente do Benfica Luís Filipe Vieira é suspeito de três crimes de fraude fiscal qualificada e 19 de falsificação de documento, assim como Domingos Soares de Oliveira, antigo administrador, e o ex-diretor financeiro do clube Miguel Moreira.

Com LUSA