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Financiador do Chega é sócio de empresa que ganhou mais de 45 milhões de euros em concursos em 2025

A Helibravo tem feito, ao longo dos últimos anos, vários negócios com o Estado. João Bravo, sócio da empresa e um dos suspeitos na operação que investiga contratos da Força Aérea com empresas de helicópteros, chegou a promover almoços de angariação de donativos para o Chega.

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Um dos suspeitos na operação que investiga os contratos da Força Aérea com empresas de helicópteros foi financiador do Chega. A Polícia Judiciária acredita que um grupo de empresas funcionava em cartel para controlar concursos públicos e conseguir lucros de milhões de euros.

A Helibravo tem feito, ao longo dos últimos anos, vários negócios com o Estado.

Só em 2025, em helicópteros para o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, conseguiu mais de 45 milhões de euros em concursos públicos. Os helicópteros irão operar até 2028.

João Bravo, sócio da empresa e um dos suspeitos, foi financiador do Chega. A informação foi avançadapela Sábado, que garante também que o empresário chegou a promover almoços de angariação de donativos para o partido.

A reação de Ventura

Questionado sobre o caso, Ventura diz que a posição do Chega mantém-se:

"Nós estamos a falar de áreas fundamentais da governação e onde há corrupção ela tem de ser combatida pela raiz, doa a quem doer, seja de que partido for, seja militante, seja apoiante, amigo, familiar de que for."

A SIC contactou a Helibravo, mas não obteve resposta.

A empresa de helicópteros com sede no Aeródromo de Cascais foi alvo de buscas na operação da Polícia Judiciária, mas não foi a única.

A PJ cumpriu quase 28 mandados de busca e apreensão, passando por domicílios, pela Força Aérea e por sedes de empresas, como a HeliPortugal, também localizada em Tires, ou a HTA, em Loulé, no Algarve.

A Gesticopter, com ligações ao cunhado e ao irmão do ministro da Presidência, também está a ser investigada.

António Leitão Amaro garante que pediu escusa para todos os assuntos relacionados com contratação de meios aéreos de combate a incêndios.

Como funcionaria o esquema

As suspeitas são de corrupção, burla, abuso de poder, tráfico de influência, associação criminosa e fraude fiscal. A PJ acredita na existência de uma rede que funcionaria em cartel para controlar concursos públicos.

As empresas de helicópteros apresentariam propostas acima do que o Estado estaria disposto a pagar. Sem alternativas, e a precisar de helicópteros, o Estado seria obrigado a ceder, também recorrendo a ajustes diretos.