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Análise

"Os clubes podem desencadear mecanismos para afastar estas pessoas dos estádios"

Um carro com elementos dos Super Dragões foi atacado esta terça-feira. O episódio está relacionado com o clássico de hóquei entre o Sporting e o FC Porto. O coordenador do Observatório da Violência Associada ao Desporto realça que o trabalho dos clubes é fundamental para tentar ajudar as autoridades a identificar os suspeitos de

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Foram detidos três suspeitos do ataque a um carro, em Lisboa, onde estavam membros da claque Super Dragões. São todos adeptos do Sporting, que podem ser acusados de crime de incêndio e tentativa de homicídio. Há quatro feridos, dois com gravidade, depois do carro ter sido incendiado com recurso a tochas. Vinham de um jogo de hóquei entre Sporting e FC Porto. Daniel Seabra, coordenador do Observatório da Violência Associada ao Desporto, realça que o trabalho dos clubes é fundamental para tentar ajudar as autoridades a identificar os suspeitos deste tipo de crimes.

Questionado sobre os 'casuals' e como é que se identifica estes grupos e porque é que há uma diferença entre estes grupos e as claques mais convencionais, Daniel Seabra começa por dizer: "Não estou esclarecido, nem estou certo, de que este incidente grave, muito grave, tenha sido levado a cabo por 'casuals'".

"Vamos admitir a hipótese de que alguns 'casuals' estariam aqui envolvidos, o que para mim não é certo. Não quero partir do pressuposto de que quem provocou estes incidentes serão 'casuals', alguns provavelmente sim, até pela forma como estão vestidos, outros não sei", explica.

Em entrevista na SIC Notícias, Daniel Seabra faz uma breve retrospetiva sobre a origem e história destes grupos:

"Os 'casuals' surgiram sobretudo no final da década de 70 no contexto inglês, como uma derivação do holiganismo, e de certa forma surgem como uma resposta a todo um conjunto de medidas que na altura foram tomadas sobretudo pelo legislador inglês e pela polícia, no sentido de um controlo cada vez mais apertado.

São pessoas que vestem sobretudo de negro, roupas de marca e que de certa forma acabaram, em alguns casos, por optar por derivar para este estilo, na ilusão que desta forma se poderiam furtar de forma muito mais eficaz ao controlo policial.

Não estou a dizer que todos os 'casuals' têm a intenção de se envolverem em atos de violência, porque na verdade nem todos têm essa intenção, mas alguns procuram desta forma chegar a confrontos com adeptos de clubes adversários".

O coordenador do Observatório da Violência Associada ao Desporto sublinha o papel dos clubes na colaboração com as autoridades:

"Nem sempre estes indivíduos são sócios dos clubes, apesar de os apoiarem no estádio e terem cânticos de apoio ao clube, mas nem sempre essa identificação é possível, mas quando é possível é óbvio que os clubes podem colaborar com as autoridades no sentido de identificar as pessoas e os próprios clubes, embora este processo seja difícil, porque provavelmente exigirá uma Assembleia Geral, mas se estas pessoas eventualmente forem sócias dos clubes, os clubes podem desencadear mecanismos tendentes a afastar estas pessoas dos estádios, pelo menos durante algum tempo".