Pelo menos dez grupos de extrema-direita estão sinalizados pelas autoridades portuguesas. Os crimes de incitamento ao ódio e à violência dispararam mais de 200% nos últimos cinco anos.
As violentas agressões ao ator Adérito Lopes, em Lisboa, ressuscitaram uma preocupação com pelo menos 30 anos em Portugal: os ataques de grupos neonazis, como aquele de que foi vítima Alcindo Monteiro, em junho de 1995, no Bairro Alto.
Desta vez, em frente ao teatro "A Barraca", o autor do crime, de 20 anos e já identificado, seguia no grupo de extrema-direita “Portugueses Primeiro”, referenciado desde 2015 pela Polícia Judiciária e pelos serviços de informações.
As autoridades portuguesas mantêm uma vigilância apertada sobre uma dezena de organizações radicais defensoras da supremacia branca e da expulsão de estrangeiros do território nacional.
Os alarmes da violência de extrema-direita soam em Portugal. Não existe, no entanto, nenhum grupo sinalizado como terrorista, embora haja registo da presença de uma célula de uma organização assim classificada noutros países e que já foi alvo de sanções por financiamento a atividades terroristas.
Segundo as Estatísticas da Justiça, que agregam dados de todas as polícias, os crimes de discriminação, incitamento ao ódio e à violência aumentaram mais de 200% em cinco anos.
Só em 2024, chegaram às autoridades mais de 400 queixas — o número mais elevado de sempre.
Há duas semanas, no Porto, duas voluntárias de uma associação de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo foram agredidas enquanto distribuíam comida. Os dois agressores terão feito a saudação nazi e agredido também um polícia no mesmo local.
Em Guimarães, registou-se o terceiro episódio de violência associado à extrema-direita em poucos dias: um ativista militante do partido Livre terá sido agredido por um membro de um grupo neonazi, já identificado.
A Polícia Judiciária anunciou, entretanto, que desmantelou uma milícia armada de extrema-direita por ligações ao grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano. Entre os seis detidos, encontrava-se um chefe da PSP.