Depois de apresentadas as contas, o autarca socialista cumpriu o prometido e deixou esta segunda-feira a presidência da Câmara de Gaia, a poucos meses de terminar o terceiro e último mandato, com o peso de uma condenação às costas que considera "desproporcionada e injusta".
Diz ter renunciado ao cargo por orgulho pessoal, antecipando-se à decisão dos tribunais de perda de mandato pelo uso indevido de um carro elétrico de uma empresa municipal para viagens pessoais.
"Geri mais de três mil milhões de euros, nunca me acusaram de desvio, de branqueamento, de luvas, de empreiteiros. Acusaram-me de levar dois padres a ver um jogo de futebol e, agora, de usar um carro elétrico para ir a uma padaria, desviando-me do caminho de casa. Eu não fui de férias, não fui passear. Perfeitamente legítimo e possível no quadro do regulamento municipal", explica Eduardo Vítor Rodrigues.
Uma condenação que foi confirmada pelo Tribunal Constitucional, mas que ainda não transitou em julgado. E que, para o ex-presidente de Gaia, é "ridícula" e preconceituosa.
"A justiça tem preconceito relativamente aos políticos — são todos iguais, corruptos. Não conseguimos encontrar o foco. No caso de Gaia, há um segundo fator: o processo Babel. Apesar de não me dizer respeito, criou, aos olhos de quem vem de fora, um estigma", acrescenta.
O ex-autarca critica as motivações do Ministério Público no processo, que considera ser um verdadeiro caso de estudo e que promete escrutinar num futuro livro.
E quanto ao apoio do Partido Socialista diz que gostaria de ter tido a sorte de ser tema de debate. A número dois da autarquia, Marina Mendes, assumiu esta terça-feira a presidência da Câmara de Gaia até às eleições autárquicas.