Até agora, quando eram detetados estrangeiros em situação irregular, à PSP cabia apenas executar a expulsão da pessoa. Agora passa a ter de tratar de todo o processo, incluindo a burocracia.
"O foco da AIMA deve ser a integração e o acolhimento de migrantes, separando-se do que é o afastamento de pessoas que possam estar em situação irregular", explica o Superintendente-chefe João Ribeiro, diretor-adjunto da Direção Nacional da PSP.
O Governo quis criar uma espécie de "mini-SEF", depois das críticas à extinção do antigo serviço e das polémicas que têm envolvido a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
De entre os muitos processos que a PSP vai herdar da AIMA, um dos casos prioritários é o dos migrantes que este mês chegaram ao Algarve vindos de Marrocos. Mas esta não será a única função da nova unidade.
Mais de 1200 agentes tiveram formação para assegurarem o controlo de fronteiras e segurança aeroportuária. Mas o futuro traz novos desafios, como implementar o Pacto para as Migrações e Asilo e o novo sistema digital de entradas e saídas na União Europeia.
A PSP estima que, a médio prazo, a nova unidade vá precisar de duas mil pessoas, entre técnicos, voluntários e polícias. Neste momento, não há meios suficientes.
"Olhando para os recursos e os desafios que temos pela frente, não. Teremos de recrutar muitos especialistas, mas também alguns polícias, e estamos a falar de algumas centenas de agentes", refere o Superintendente-chefe João Ribeiro, diretor-adjunto da Direção Nacional da PSP.
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia não é contra a nova unidade, mas alerta para a falta de meios. Diz que não se pode sobrecarregar agentes ou retirá-los de onde são necessários, como as esquadras, e continua a exigir melhores condições para tornar a carreira mais atrativa.
