Depois de horas de espera no aeroporto de Paris, o voo para Lisboa foi cancelado e adiado devido a problemas técnicos. Joana - nome fictício - dirigiu-se ao balcão da TAP para saber onde passaria a noite, despesa quase sempre assumida pelas companhias aéreas.
A funcionária terá dito que não havia quartos para todos e por isso só existiam duas soluções. "Ou nós buscaríamos um hotel por nossa conta, ou dividiríamos um quarto. Eu disse que não, que queria um quarto só para mim, era o meu direito. Mas acho que, dado o cansaço e o movimento do grupo todo, eu ingenuamente aceitei", relata Joana.
Sem dinheiro para pagar um quarto de hotel, aceitou um voucher dado pela TAP para um quarto triplo, onde foram escritos à mão os nomes dos outros passageiros, uma mulher alemã e um homem brasileiro.
“Fui acordada com o homem em cima de mim”
Durante a noite, a outra passageira deixou um bilhete a dizer que não tinha conseguido adormecer e seguiu para o aeroporto. Sem saber, Joana ficou fechada num quarto com um desconhecido.
“Fui acordada por volta das cinco da manhã com este homem brasileiro em cima de mim, sem roupa, beijando-me, segurando-me na cama. Ainda demorei uns segundos para entender o que estava acontecendo. Foi quando eu reagi, gritei, assustei-me, acho que isso desencorajou o homem.”
Nessa noite enviou um e-mail à TAP a dizer o que tinha acontecido e saiu de Paris sem apresentar queixa às autoridades. Já em Portugal, diz que apresentou queixa à PSP, mas foi quando regressou ao Brasil que procurou apoio jurídico. Uma decisão que foi adiando por não saber lidar com o que aconteceu.
“Senti-me muito ingénua, muito envergonhada, muito burra de ter aceitado. Não vi que a TAP estava a colocar-me numa situação de vulnerabilidade.”
Caso está nas mãos da justiça brasileira
Contactada pela SIC, a TAP diz que qualquer medida por parte da empresa "está condicionada à conclusão da averiguação e investigação pelas autoridades locais competentes".
À passageira foi apresentada uma proposta de cerca de 800 euros por causa do cancelamento do voo. Joana esperava um pedido de desculpas e que fossem apuradas responsabilidades. À falta de acordo entre a passageira e a TAP, o caso depende agora da Justiça brasileira.
