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Elevador da Glória já tinha descarrilado em 2018 devido a "anomalia técnica"

Icónico ascensor conta com 139 anos de história na capital portuguesa. Há sete anos já tinha ocorrido um acidente, mas sem vítimas.

Elevador da Glória já tinha descarrilado em 2018 devido a "anomalia técnica"
Armando Franca/AP

O Elevador da Glória, um dos principais pontos turísticos de Lisboa, descarrilou ao final da tarde de quarta-feira. O último balanço das autoridades aponta para 15 mortos e 23 feridos (pelo menos cinco em estado grave). Mas este não é o primeiro acidente que o envolve.

No dia 7 de maio de 2018, o famoso ascensor já tinha descarrilado, não tendo, na altura, provocado vítimas. Ainda assim, obrigou a que o mesmo ficasse inoperacional durante cerca de um mês.

Na altura, a carruagem não tombou, saiu apenas dos carris e ficou assente nas pedras da calçada, mas havia já quem antevisse o pior. António Carloto, membro da APAC (Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro), dizia ao jornal Público:

"Descarrilou e desta vez não houve consequências. Da próxima poderá não ser assim. É claro que houve aqui incúria."

À data, a empresa não comunicou o acidente nem respondeu às perguntas do jornal diário, mas a responsável pela Carris, Inês Andrade, dizia à Time Out que o acidente se devera a uma “anomalia técnica” e que os veículos voltariam a circular no dia 11 de junho, garantindo que ficariam “em perfeitas condições de segurança e funcionamento para os próximos dois anos”.

A partir daí, a Carris antecipou a manutenção geral do elevador que estava prevista para breve. Os sinais de falta de manutenção eram visíveis a olho nu com a parte saliente das rodas dos vagões, que encaixam no carril e evitam o descarrilamento, desgastada. Este desgaste terá levado, segundo o jornal, a que os rodados do ascensor saltassem para fora dos carris.

A Câmara Municipal de Lisboa, nesse ano sob o mandato de Fernando Medina, não adiantou à data esclarecimentos sobre o ocorrido.

O ascensor da Glória foi inaugurado em 1885 e liga a Praça dos Restauradores ao Bairro Alto. Em 1926 a exploração deste símbolo passou da Companhia de Ascensores Mechanicos de Lisboa para a Companhia de Carris de Ferro de Lisboa.