Os médicos que não detetaram malformações graves num bebé não tem competência para fazer ecografias. O presidente do colégio da Ordem dos Médicos diz que é um erro grosseiro não ver a falta de um membro.
Ao longo da última semana, a Ceraque tem dito por escrito à SIC que não é possível detetar tudo nas ecografias por muito que a tecnologia tenha avançado. Mas o presidente do colégio de competência de ecografia obstétrica diferenciada, responsável por habilitar os médicos a fazer este tipo de exame, discorda.
"Não ver uma perna, a falta completa de um membro, eu diria que é um erro grosseiro. Uma ecografia feita às 12 semanas obrigatoriamente devemos mostrar ao casal os quatro membros e os três segmentos de cada membro", explica Álvaro Cohen, presidente do colégio de competência de ecografia obstétrica diferenciada.
Especialista reconhecido nacional e internacionalmente, Álvaro Cohen foi chamado para criar a competência de ecografia diferenciada em dezembro de 2019, depois do caso do bebé que nasceu sem rosto.
Defende que as ecografias em Portugal são de qualidade, muito acima da média europeia. Só que o órgão que lidera não tem poder de fiscalização.
"Da parte do Ministério da Saúde tem que haver a preocupação para saber se as pessoas que estão a fazer as ecografias têm capacidade e competência para o fazer", acrescenta.
Os dois médicos que fizeram ecografias e não viram que o bebé tinha a perna incompleta e apenas dois dedos e que também ignoraram o risco de trissomia 21 não têm a competência de ecografia diferenciada, que permite fazer estes exames a grávidas.
Tal como mostra a lista de médicos no site da ordem, nos nomes dos clínicos, aparece apenas a especialidade e não a competência.
"Tem de ser penalizada a clínica e o médico", considera Álvaro Cohen.
A SIC sabe que na Ordem dos Médicos há processos contra os médicos, alguns mais antigos e arquivados.
Há uma semana que a SIC tenta entrevistas com os responsáveis da clinica e com os médicos, sem sucesso.
