Beatriz está internada desde sexta-feira, mais um entre muitos internamentos. Tem 22 anos e foi diagnosticada com epilepsia refratária aos cinco anos, uma forma da doença em que há resistência aos medicamentos para o controlo das crises. Desde então, a mãe Ana deixou de trabalhar e tornou-se cuidadora da filha a tempo inteiro.
"Tem consequências, porque as células vão morrendo. Teve de frequentar ensino especial. Deixa de saber ler e escrever. Momentaneamente, deixa de saber andar e falar. Apesar de ser temporário, tudo isso acontece", explica Ana Coelho, a mãe de Beatriz.
Há cinco anos, a equipa médica do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, inscreveu Beatriz na lista de espera para a colocação de estimuladores cerebrais profundos.
"A Beatriz já fez tudo o que existe no mercado. Esta seria mais uma tentativa para melhorar a qualidade de vida."
Ana foi insistindo com o hospital, fez participações à Entidade Reguladora da Saúde (ERS). Na última troca de emails com a equipa médica, em julho, disseram-lhe que um equipamento necessário para a cirurgia estava a ser reparado, sem data para a conclusão dos trabalhos. Mas, assim que voltassem a operar, Beatriz seria a primeira na lista.
Passaram-se três meses. Até que, esta segunda-feira, pouco faltava para as 10 da manhã, a SIC enviou perguntas sobre o caso de Beatriz ao Hospital Egas Moniz. Ana recebeu a chamada a avisá-la de que havia data para a cirurgia de Beatriz cerca de uma hora depois.
"Foi preciso contactar a comunicação social para que alguém me ligasse. É triste", confessa Ana.
À SIC, o hospital respondeu durante a tarde, apenas para dizer que a cirurgia está programada, uma vez que a situação com o equipamento já está resolvida. A operação de Beatriz ficou marcada para o dia 27 deste mês.